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Massa vence na hora certa e quebra
dois jejuns do Brasil
Magny-Cours (França) - Tudo parecia encaminhado
para a terceira vitória de Kimi Raikkonen na temporada 2008.
Depois da primeira parada nos boxes, o finlandês sustentava
uma vantagem de seis segundos sobre Felipe Massa, mas uma aparente
quebra em seu escapamento pouco depois da metade da prova jogou
a primeira colocação no colo do brasileiro. Daí,
foi só o ferrarista guiar tranquilamente rumo ao primeiro
lugar no pódio e à liderança do Mundial de
Pilotos.
Além da importância para o campeonato, a vitória
de Massa neste domingo é simbólica por dois motivos.
O primeiro é que, desde Mônaco-1993, ainda com Ayrton
Senna, o Brasil não figurava na ponta da tabela de uma classificação
da Fórmula 1. O segundo é que Massa finalmente pôs
fim ao jejum de 23 anos sem vitórias verde-amarelas em Magny-Cours.
A última e única vez que isso aconteceu foi com quando
Nelson Piquet protagonizou uma zebra ao vencer a disputa com uma
Brabham.
Aliás, o filho de Nelson Piquet também fez bonito
deste domingo e somou seus primeiros pontos na principal categoria
do automobilismo mundial ao chegar em sétimo lugar. Melhor:
conseguiu uma bela ultrapassagem sobre Fernando Alonso no final
da corrida, mostrando todo o seu valor. Piquet também fez
bonito ao conseguir segurar um agressivo Lewis Hamilton no começo
da prova que, sem sucesso, chegou a fritar os pneus dianteiros na
tentativa de ultrapassá-lo.
Piquet também conseguiu segurar firmente constantes ataques
do outro piloto da McLaren, Heikki Kovalainen. Porém, o finlandês
conseguiu a ultrapassagem na primeira parada de ambos nos boxes.
Coincidentemente, os dois pararam na mesma volta e Nelsinho dava
a impressão de que iria sair na frente do rival. Mas o brasileiro
perdeu rendimento de forma estranha no final do pit lane e não
pôde fazer nada.
Heróico, Raikkonen conduziu sua Ferrari com grande dificuldade
até cruzar a linha de chegada na segunda colocação.
Com os oito pontos conquistados na França, o atual campeão
do mundo finalmente volta a pontuar depois de duas corridas zerado.
Uma leve chuva no final da prova chegou a ameaçar botar fogo
na prova, mas a água que caiu no circuito não foi
suficiente para qualquer alteração significativa.
A dupla a McLaren, por sua vez, fez uma prova de desempenhos opostos.
Largando em 13º lugar por conta da punição graças
à batida em Kimi Raikkonen no GP do Canadá, Hamilton
fez mais uma de suas besteiras na Fórmula 1. Extremamente
agressivo no início da prova, ele passou Sebastian Vettel
por fora do traçado, cortando caminho. Ao invés de
devolver a posição, conforme manda a regra neste caso,
seguiu em frente e tomou um drive-through quando era nono colocado.
Resultado: caiu para sua posição de origem e não
mais chegou perto da zona de pontuação. Sua prova
só não foi de todo catastrófica porque ele
conseguiu duas ultrapassagens em cima de seu arqui-rival Fernando
Alonso. Mas o espanhol, apesar de ter perdido qualquer chance de
pódio por ter largado com pouca gasolina, terminou em oitavo,
na frente do inglês, por conta das estratégias dos
pit stops. Hamilton foi apenas o décimo colocado.
Por outro lado, Heikki Kovalainen fez uma prova sensacional. Ele,
que perdeu cinco posições no grid por ter obstruído
Mark Webber durante o treino classificatório, voou baixo
depois que passou por Nelsinho Piquet e terminou com a quarta colocação.
Destaque ainda para Jarno Trulli, que terminou em terceiro segurando
os intensos ataques do finlandês nas últimas voltas.
Massa agora tem 48 pontos no campeonato, contra 46 de Robert Kubica,
que chegou na quinta colocação em Magny-Cours. Raikkonen
é o terceiro colocado, com 43 pontos. Hamilton, por sua vez,
segue estacionado com 38 pontos. Vale destacar que são altas
as possibilidades de esta ser a última vez que Magny-Cours
abriga uma disputa de Fórmula 1. Como o circuito fica em
uma zona rural da França, as reclamações sobre
a falta de infra-estrutura na região são grandes e
Bernie Ecclestone cogita a possibilidade de viabilizar uma prova
em Paris a partir do ano que vem.
A corrida - Ao contrário do que tinha prometido,
Fernando Alonso não atacou Felipe Massa na largada do GP
da França. Aliás, com uma manobra bastante estranha,
ele perdeu duas posições, respectivamente para Jarno
Trulli e Robert Kubica.
Sem nada a ver com isto, os dois carros da Ferrari dispararam na
frente. Mesmo com o carro mais pesado, Felipe até que conseguiu
manter o ritmo do finlandês nas cinco primeiras voltas, mas
logo o campeão mundial passou a render bem mais.
Enquanto isto, Kubica e Alonso travavam uma bela briga, com o espanhol
dando o troco no finlandês. As atenções, entretanto,
estavam voltadas para um embate comum na GP2 de 2006: oitavo colocado,
Nelsinho Piquet era intensamente pressionado por Lewis Hamilton,
que chegava a fritar os pneus dianteiros para tentar passar o brasileiro.
Obrigado a largar da última colocação por
ter trocado o câmbio, Rubens Barrichello tentava ganhar posições
e era o 17º colocado passadas dez voltas. Extremamente agressivo
no início da prova, Hamilton tomou um drive-through por ter
'cortado caminho' ao ultrapassar Sebastian Vettel e caiu para o
13º lugar.
Como Alonso foi o primeiro a parar nos boxes, ironicamente era
justamente o espanhol quem se postou à frente do inglês
neste momento. Brigados desde o ano passado, quando defenderam a
McLaren, eles colocaram a rivalidade na pista novamente e, ao conseguir
a ultrapassagem, Hamilton deu um pequeno toque no bicampeão
mundial. Em seguida, entrou nos boxes para reabastecer.
Líder da prova, Raikkonen fez sua primeira parada na volta
22, duas passagens antes de Massa. Tentando aproveitar a diferença
para ganhar a posição na estratégia, o brasileiro
tentou pisar fundo nestas duas voltas, mas foi atrapalhado por Hamilton
e saiu xingando o inglês. Como resultado, voltou dos boxes
atrás do companheiro de equipe praticamente com a mesma desvantagem
de antes.
Um dos destaques da disputa, Nelsinho Piquet conseguia segurar
bem Heikki Kovalainen na disputa pela oitava posição.
Coincidentemente, os dois entraram nos boxes juntos e o brasileiro
dava a impressão de sair na frente. Porém, perdeu
rendimento na saída do pit lane e foi ultrapassado pelo finlandês.
Mesmo assim, o filho do tricampeão mundial continuou em oitavo,
na zona de pontuação, graças à péssima
atuação de David Coulthard.
Na frente, Raikkonen chegou a ter seis segundos de vantagem sobre
Massa, mas pouco a pouco o brasileiro foi chegando e na volta 38
a diferença já era de apenas 1s7. A inevitável
ultrapassagem se deu logo na sequência. As imagens da TV mostraram
que o escapamento do carro do finlandês se soltou, o que explica
a queda de rendimento.
A partir daí, Massa simplesmente disparou na frente e terminou
a prova com quase 18 segundos de vantagem sobre o companheiro de
equipe. Nem uma leve chuva que caiu no circuito de Magny-Cours ameaçou
o brasileiro. No final, o rendimento do finlandês parou de
cair tão drasticamente e ele ainda terminou a disputa na
segunda colocação.
O destaque das últimas voltas ficou por conta dos intensos
ataques de Heikki Kovalainen sobre Jarno Trulli, que conseguiu garantir
o primeiro pódio da Toyota no ano. Já Nelsinho Piquet
fez bonito ao aproveitar um pequeno erro de Alonso na penúltima
volta e ultrapassar o bicampeão mundial, iniciando assim
sua recuperação na temporada - o brasileiro chegou
a se ver envolvido em boatos que davam conta sobre a iminência
de sua demissão.
A próxima etapa da Fórmula 1 será no dia 06
de julho, na tradicional pista inglesa de Silverstone.
Confira o resultado final do GP da França:
1º - Felipe Massa (BRA/Ferrari)
2º - Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari) a 17s984
3º - Jarno Trulli (ITA/Toyota) a 28s250
4º - Heikki Kovalainen (FIN/McLaren) a 28s929
5º - Robert Kubica (POL/BMW) a 30s512
6º - Mark Webber (AUS/Red Bull) a 40s304
7º - Nelsinho Piquet (BRA/Renault) a 41s033
8º - Fernando Alonso (ESP/Renault) a 43s372
9º - David Coulthard (ESC/Red Bull) a 51s021
10º - Lewis Hamilton (ING/McLaren) a 54s538
11º - Timo Glock (ALE/Toyota) a 57s700
12º - Sebastian Vettel (ALE/Toro Rosso) a 58s065
13º - Nick Heidfeld (ALE/BMW) 1min15s786 - a 1min02s079
14º - Rubens Barrichello (BRA/Honda) a uma volta
15º - Kazuki Nakajima (JAP/Williams) a uma volta
16º - Nico Rosberg (ALE/Williams) a uma volta
17º - Sébastien Bourdais (FRA/Toro Rosso) a uma
volta
18º - Giancarlo Fisichella (ITA/Force India) a uma volta
19º - Adrian Sutil (ALE/Force India) a uma volta
Não completou:
Jenson Button (ING/Honda) volta 17
Confira o grid da etapa:
1º - Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari) 1min16s449
2º - Felipe Massa (BRA/Ferrari) 1min16s490
3º - Fernando Alonso (ESP/Renault) 1min16s840
4º - Jarno Trulli (ITA/Toyota) 1min16s920
5º - Robert Kubica (POL/BMW) 1min17s037
6º - Mark Webber (AUS/Red Bull) 1min17s233
7º - David Coulthard (ESC/Red Bull) 1min17s426
8º - Timo Glock (ALE/Toyota) 1min17s596
9º - Nelsinho Piquet (BRA/Renault) 1min15s770
10º - Heikki Kovalainen (FIN/McLaren) 1min16s944**
11º - Nick Heidfeld (ALE/BMW) 1min15s786
12º - Sebastian Vettel (ALE/Toro Rosso) 1min15s816
13º - Lewis Hamilton (ING/McLaren) 1min16s693*
14º - Sébastien Bourdais (FRA/Toro Rosso) 1min16s045
15º - Kazuki Nakajima (JAP/Williams) 1min16s243
16º - Jenson Button (ING/Honda) 1min16s306
17º - Giancarlo Fisichella (ITA/Force India) 1min16s971
18º - Adrian Sutil (ALE/Force India) 1min17s053
19º - Nico Rosberg (ALE/Williams) 1min16s235*
20º - Rubens Barrichello (BRA/Honda) 1min16s330 ***
*Punidos com a perda de dez posições no grid por
conta do acidente que causaram no pit lane do GP do Canadá
** Punidos com a perda de cinco posições por ter obstruído
volta rápida de Mark Webber
***Punido com a perda de cinco posições por ter trocado
o câmbio
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