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28/10/2008
Montagem sobre foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Por Carolina Canossa

Foto AFP

Nelsinho Piquet comemora ao lado do compatriota Felipe Massa o 2º lugar conquistado no GP da Alemanha

Faltando uma corrida para o encerramento da temporada 2008 da Fórmula 1, o brasileiro Nelsinho Piquet chega a Interlagos ainda sem saber qual será o seu futuro. O desempenho irregular nas 17 etapas já realizadas na atual temporada pela equipe Renault coloca o nome do jovem de 23 anos em uma série de especulações, que vão desde a saída da principal categoria do automobilismo mundial até a chance de continuar correndo ao lado do bicampeão mundial Fernando Alonso, passando pela possibilidade de parar na Toro Rosso após perder seu lugar para o compatriota Lucas di Grassi.

Porém, independentemente do que ocorra, Nelsinho afirma que está muito mais maduro cerca de oito meses depois de sua primeira corrida como titular de Fórmula 1. Sempre sonhando em repetir (ou até superar) a trajetória do pai, o tricampeão Nelson Piquet, o novato contou em entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.Net alguns detalhes sobre sua primeira temporada na categoria, como a evolução apresentada ao longo do ano, a onipresente cobrança que o seu sobrenome origina, a temporada 2009, a relação com Alonso e com o temido Flavio Briatore, atual chefe da Renault.

Nelsinho também falou da expectativa para a corrida do próximo domingo em Interlagos, um circuito no qual nunca teve a oportunidade de correr de monoposto, apesar de ter vencido as Mil Milhas em 2006. Dono de um pódio na temporada (segunda colocação no GP da Alemanha), Piquet acredita que a falta de experiência não vai prejudicar seu desempenho no autódromo paulistano, uma pista que costuma guardar algumas surpresas para quem não está acostumado a andar por ela.

Gazeta Esportiva.Net - A última corrida de sua primeira temporada na Fórmula 1 se aproxima. Olhando para trás, qual avaliação você faz?
Nelsinho Piquet - Foi uma temporada de muito aprendizado. Quando cheguei, não conhecia vários circuitos, só tinha pilotado um F-1 em testes, enfim, precisei me adaptar a muitas coisas. Amadureci muito como piloto, mais do que em qualquer outro ano da minha carreira. É claro que passei por momentos difíceis, mas obtive bons resultados neste ano, subi no pódio em segundo lugar, pontuei em várias corridas. Evoluí bastante durante o campeonato e isso é muito importante em um ano de estréia.

GE.Net - Exceto o segundo lugar na Alemanha, qual foi o seu melhor momento na temporada? E o pior?
Ne
lsinho Piquet - Fora a Alemanha, meu melhor momento na temporada até agora foi o GP do Japão. Larguei em 12º e cheguei em quarto. Ultrapassei quatro pilotos na largada, meu carro estava excelente e felizmente tudo deu certo. E os piores momentos são aqueles em que você não termina a corrida, é sempre muito frustrante.

GE.Net - Um dos motivos que você apontava para explicar os resultados abaixo do esperado nas três primeiras corridas do ano, além da Turquia, era o fato de nunca ter corrido naqueles circuitos. Porém, a situação era semelhante na China e no Japão, onde seus resultados foram bons. O que você acha que ocorreu para tamanha evolução?
Nelsinho Piquet - O carro está muito mais competitivo agora do que no começo, a Renault fez um ótimo trabalho durante a temporada. Isso ajudou bastante no Japão e China. Além disso, aprendi muito durante o ano e é claro que isso se reflete na pista.

GE.Net - A Renault já avisou que a dupla titular de 2009 só será anunciada após o final da temporada. Entretanto, até lá o seu nome já foi envolvido em inúmeras especulações a respeito do seu futuro, seja na escuderia francesa ou não. Como você lida com isso?
Nelsinho Piquet - As especulações são normais, procuro não me preocupar. Meu objetivo é permanecer na Renault e estou trabalhando para isso.

GE.Net - Com as mudanças de regulamento previstas para o próximo ano, você acha que o equilíbrio de forças entre as equipes da F-1 vai sofrer grandes alterações? Dado os últimos resultados, é possível afirmar que a Renault será bem mais forte em 2009 do que foi em 2008?
Nelsinho Piquet - É difícil prever como será o campeonato de 2009, ainda mais antes da pré-temporada. Também não tenho como afirmar que a Renault estará bem mais forte em 2009. É certo que a equipe vem trabalhando para isso e que tem obtido bons resultados, mas é muito prematuro afirmar qualquer coisa.

Foto AFP

O primeiro pódio é apontado por Nelsinho Piquet como o melhor momento de seu ano de estréia na Fórmula 1

GE.Net - Como você projeta o seu futuro na categoria?
Nelsinho Piquet - Minha meta é continuar na categoria por muitos anos, com um carro competitivo, que me dê condições de brigar por pódios e vitórias.

GE.Net - Você sente que o seu sobrenome foi, em algum momento, um fator a mais para que os torcedores e/ou jornalistas criticassem o seu trabalho?
Nelsinho Piquet - Há certamente uma expectativa maior e também, é claro, uma cobrança maior. Isso é assim desde que eu corria de kart, é claro que na Fórmula 1 não seria diferente.

GE.Net - Antes de estrear, você sempre enfatizou a importância de ter um bicampeão do mundo ao seu lado na equipe, pois o Fernando Alonso seria um exemplo. Passados os meses, como foi o relacionamento com ele no dia-a-dia? Ele realmente te ajudou bastante ou você acabou aprendendo sozinho?
Nelsinho Piquet - Temos uma boa relação profissional, mas cada um se preocupa com seu trabalho, com seu dia-a-dia. É claro que aprendi com o Alonso, afinal ele é um bicampeão mundial, mas aprendi mais sozinho e com meus engenheiros.

GE.Net - Apesar da fama de ter impulsionado a carreira do Michael Schumacher e do próprio Fernando Alonso na Fórmula 1, o Flavio Briatore também é conhecido por ser muito exigente com seus pilotos. O que há de verdade e de lenda nisso e como é tê-lo como patrão? 
Nelsinho Piquet - Ele é um chefe muito exigente, quer sempre que cada um renda o máximo possível e não gosta quando isso não acontece. É normal, é o papel dele como chefe de equipe. A Fórmula 1 movimenta muito dinheiro, tem muitos investidores, o grau de exigência tem de ser proporcional. Nossa obrigação é dar o máximo sempre, fazer sempre o melhor.

GE.Net - Apesar de brasileiro, você nunca correu de monoposto em Interlagos. O que houve para essa chance nunca ter aparecido para você?
Nelsinho Piquet - Quando disputei campeonatos de monopostos no Brasil, no caso a Fórmula 3 Sul-Americana, Interlagos estava fora do calendário. Antes, corria de kart e depois fui para o automobilismo europeu.

GE.Net - Levando-se em conta a inexperiência no autódromo paulistano, como está sendo sua preparação para a corrida do dia 2 de novembro, levando-se em conta que se trata de um circuito com trechos "traiçoeiros", como o Laranjinha?
Nelsinho Piquet - Conheço o circuito, venci as Mil Milhas lá, em 2006. Não é um completo desconhecido, como vários circuitos que encarei na temporada. Estamos trabalhando bastante no acerto, já que o circuito é ondulado e exige mais da suspensão. Fora isso, é chegar com calma e tentar fazer um bom trabalho.

 GE.Net - Conte um pouco das suas experiências anteriores em Interlagos com outros tipos de carros.Nelsinho Piquet - Participei da 50ª edição das Mil Milhas, em 2006, e venci a prova, ao lado do meu pai, do Hélio Castroneves e do Christophe Bouchut, com cinco voltas de vantagem. Pilotamos um Aston Martin DB9R. A prova foi boa, a equipe era excelente. Como nunca tinha competido com carro fechado, achei a experiência diferente, achei o carro muito quente, senti bastante calor. Foi muito bom também andar em Interlagos e aprender um pouco sobre o circuito.

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