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Por Marta Teixeira
| Foto: Divulgação/CBDA |
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| Em nova fase, Joanna Maranhã também admite: "tive medo
da pressão das pessoas". |
Aos 16 anos, a nadadora Joanna Maranhão tornou-se destaque
no cenário nacional conquistando a medalha de bronze nos 400m
medley e garantindo vaga para os Jogos Olímpicos de Atenas-2004.
Na Grécia, obteve uma impressionante classificação para a
final e tornou-se a principal esperança de resultados da nova
geração nas piscinas brasileiras. Depois disso, porém, a pernambucana
encarou uma espiral de acontecimentos, que culminou em uma
crise de resultados cuja superação começou apenas no ano passado.
Passado o momento mais tormentoso, Joanna revela com exclusividade
à Gazeta Esportiva.Net que sua queda não teve razões
apenas técnica. Nesta conversa direto da França, a nadadora confessa ter sido
molestada nos primeiros anos no esporte e admite que o longo
processo de superação do trauma foi uma das etapas mais difíceis
antes de seu renascimento nas piscinas. “Mais cedo ou mais
tarde, eu iria mesmo contar esse episódio e assim as pessoas
entenderiam melhor. Hoje, eu vejo que o que passei foi para
me tornar mais forte e servir de exemplo para outras pessoas”.
Em busca de índices para os 200m e 400m medley, a atleta
trancou recentemente a faculdade e passou a se dedicar integralmente
aos treinos. Com ajuda da família, colocou a mão no bolso
e bancou uma viagem para Font Romeo, na França, ao lado de
Fabíola Molina, Diogo Yabe e Gabriel Mangabeira, para fazer
um treinamento de altitude, que termina segunda-feira.
Para atingir seu objetivo, Joanna abraçou um programa multidisciplinar
com acompanhamento de nutricionista e trabalhos específicos
de musculação. São treinos diários em dois períodos com uma
folga semanal, sendo duas horas em média na piscina. A musculação
é feita três vezes por semana desde o ano passado.
Os resultados já começam a aparecer no corpo e nas piscinas,
desde o ano passado, sua recuperação tem sido efetiva. Nos
Jogos Pan-americanos, em julho, terminou na quarta colocação
dos 400m medley (4min47s54) a oito centésimos do título, mas
bem longe do índice olímpico (4min45s08). Cinco meses depois,
no Torneio Open, ficou a apenas um centésimo da marca estabelecida
como classificatória para Pequim.
Para Joanna, chegar aos Jogos chineses terá um sabor bem
diferente de 2004, quando obteve a marca quase sem querer.
“Conquistei o índice para Atenas de uma forma tão natural:
nadei a final do Pan de 2003, fui bronze e peguei o índice.
Tudo muito rápido. Acabei não dando o devido valor. Dessa
vez, estou tendo de abrir mão de várias coisas para conseguir.
Tô ‘ralando’ mais, é uma outra situação”, diz satisfeita.
Joanna dá a primeira cartada pela classificação no Campeonato
Sul-americano, de 12 a 16 de março, no Clube Pinheiros, em
São Paulo. Depois disso, o Troféu Maria Lenk, em maio, é a
última chance. Mas a pernambucana quer resolver a situação
na capital paulista, apesar de reafirmar que o local não é
dos mais adequados para a empreitada.
Gazeta Esportiva.Net - Você está bancando o treinamento
na França do seu bolso, certo?
Joanna Maranhão - A viagem saiu do bolso da família.
Todo mundo me ajudou porque além dos custos serem altos, fomos
surpreendidos por uma cirurgia do meu tio que está na UTI
há um mês. Os gastos triplicaram e minha mãe, que é médica,
ficou com ele o tempo todo e não trabalhou boa parte do mês.
Então, eu e meu irmão mais velho cuidamos da casa e das contas,
foi um mês difícil. Todos ajudaram a custear a viagem, e eu
agradeço muito por isso. Quando conseguir o índice, vai mais
do que nunca ser uma conquista de todos.
GE.Net - Como seu técnico (João Reynaldo, o Nikita)
encarou a idéia de você treinar na Europa?
JM - A idéia foi minha, porque de inicio ele não
estava muito de acordo não. Eu soube que a Fabíola Molina,
o marido dela, Diogo Yabe, e Gabriel Mangabeira viriam e pensei
que seria uma boa pra mim focar mais nos treinos, fazer uma
preparação de base na altitude pra quando voltar pra Recife
estar em boa forma física e tentar o índice para Pequim no
Sul-americano. Foi um sufoco convencê-lo porque ele nunca
me deixa sozinha e não pôde vir. Mas hoje, ele viu que foi
o melhor pra mim e está muito satisfeito com os resultados
dos treinos.
GE.Net - Quais melhoras você já percebeu?
JM - Eu já me sinto em boa forma física, os exames
de sangue deram uma taxa de hemoglobina alta e isso significa
que o objetivo do treinamento foi alcançado. Eu estou treinando
só há um mês e já estou conseguindo tempos no treino melhores
que no ano passado. Isso me motiva muito pra melhorar ainda
mais quando voltar a treinar ao nível do mar.
GE.Net - O Sul-americano será novamente no Pinheiros,
onde você já disse que as condições não ajudam muito. Isso
pode te atrapalhar muito?
JM - Exatamente por ter um pouco de altitude e a
piscina não ser das melhores que eu resolvi fazer um treinamento
mais intenso antes do campeonato. Geralmente, quando faço
treinamento de altitude (este é o quinto de sua carreira),
volto com uma condição aeróbia muito melhor do que se treinasse
somente em Recife e isso vai diminuir muito as dificuldades
em nadar no Pinheiros. Lógico que não é a situação ideal.
Nenhuma seletiva olímpica deveria ser realizada em lugares
acima do nível do mar. Tem de ser nas melhores condições possíveis,
mas isso é questão política e, infelizmente, os atletas sofrem
por isso.
GE.Net - Além do treinamento em altitude, que outras
coisas você acrescentou em seu planejamento para obter o índice?
JM - Uma alimentação mais balanceada, porque eu estava
acima do peso. Mudei minha parte física, voltei a fazer musculação,
e já comecei o ano fazendo séries de medley para melhorar
a condição de prova e também a técnica do nado de peito, que
tem sido a parte mais fraca da prova pra mim. E também tranquei
a faculdade para me dedicar 100% à natação neste semestre.
GE.Net - Quantos quilos você perdeu e quanto está
pesando agora?
JM - Aqui não tem balança, mas as calças estão mais
folgadas e pelas fotos também estou me vendo mais "fina".
Acredito ter perdido entre 2 e 3 kg.
GE.Net - Você está tentando índice nos 200m e 400m
medley?
JM - Mais nos 400m que nos 200m. Sou uma atleta naturalmente
fundista, É como se eu ainda não tivesse atingido meu máximo
nos 200m, entende? Eu precisaria de mais massa muscular e
mais explosão na prova e eu sou mais nadadora de resistência.
Mas vou tentar os 200m também, afinal, não tenho a perder
não é?
GE.Net - Seu trabalho de musculação tem enfatizado
algum grupo muscular mais específico?
JM - Não, é um trabalho de "hipertrofia" e mais de
resistência também. Na parte de perna, a gente quer diminuir
um pouco a gordura do quadril e da coxa, porque genética é
fogo! Tenho que tomar bastante cuidado com isso.
GE.Net - Dá para comparar a tentativa de índice
para Atenas com a de agora? Você se sente pressionada?
JM - Nem um pouco. Eu conquistei o índice para Atenas
de uma forma tão natural: nadei a final do Pan de 2003, fui
bronze e peguei o índice, tudo muito rápido. Acabei não dando
o devido valor. Dessa vez, estou tendo de abrir mão de várias
coisas pra conseguir. Tô "ralando" mais, é outra situação.
GE.Net - Então, agora vai ser realmente especial,
mais valioso, talvez?
JM - Bem mais. Sabe aquela história de que a gente
só dá o devido valor a uma coisa quando "perde"? Pois é, é
como se agora eu estivesse realmente lutando pelo que quero.
Assim é mais gostoso...
GE.Net - Por falar em Pan, o de 2007 parece ter
sido um divisor de águas em seu desempenho. Você concorda?
O que mudou?
JM - Esse Pan foi muito especial. Muitas pessoas
perguntam porque eu fiquei tão satisfeita se não ganhei medalha
em prova individual e eu sei porque nunca valorizei tanto
a medalha. É lógico que ter ficado em quarto por oito centésimos
foi difícil de engolir, mas ali eu sabia que tinha feito meu
melhor. Sabia que tinha treinado, que tinha me empenhado e
no momento era aquilo que eu merecia. Por isso fiquei muito
feliz. A partir dali, vi que dando duro nos treinos e acreditando
em mim, toda má fase passa e eu volto a ser o que fui, ou
até mais.
GE.Net - Auto-confiança...
JM - Totalmente. Eu sempre treinei muito bem, mas
faltava aquele quê a mais que era a confiança, a felicidade
em estar competindo, e isso, graças a Deus, eu resgatei.
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Nome: Joanna de Albuquerque Maranhão
Bezerra de Mel
Nascimento: 29/04/1987
Naturalidade: Recife (PE)
A pernambucana Joanna Maranhão viveu o ápice de sua carreira
durante os Jogos Olímpicos de Atenas-2004. Ao lado de
Thiago Pereira, ela aparecia como uma das grandes promessas
das piscinas brasileiras e não decepcionou na Grécia.
Além de quebrar um tabu de 56 anos sem uma final para
natação feminina, ela ainda terminou no inédito quinto
lugar nos 400m medley com o tempo de 4min40s00.
Nos 200m medley, com a marca de 2min15s43 nas semifinais,
ela não conseguiu ir para a última sessão e disputar
medalha. Entretanto, a marca foi suficiente para ela
bater o recorde brasileiro e também o sul-americano, que pertencia à argentina Georgina
Bardach. O índice do continente
foi retomado pela rival durante o Mundial de Melbourne,
em 2007, mas o nacional ela detém até hoje.
No mesmo
ano, ela conseguiu o recorde brasileiro de piscina curta
nos 800m e nos 200m costas e nos 400m medley.
No ano seguinte, ela ainda chegou às semifinais do
Mundial de Esportes Aquáticos em Montreal-2005 e acabou
em 10º lugar. No Mundial de Piscina Curta de Xangai,
ela ficou apenas em 12º nos 400m medley (4min40s83,
bem abaixo de seu recorde brasileiro de 4min35s96) e
também nos 200m medley (2m14s98). No Mundial de Melbourne
de 2007, em piscina olímpica, ela nem mesmo chegou a
competir.
Apesar de ver os Jogos Pan-americanos como seu reinício,
ela ainda não repetiu seus melhores tempos. Nos 200m
medley, ela nadou em 2min16s99. Nos 400m medley, os
4min47s54 lhe garantiram o quarto lugar da prova.
Para comprovar seu estágio atual longe das melhores
do mundo, a norte-americana Katie Hoff conquistou o
ouro nos 400m medley na Austrália com 4min32s89.
A medalhista de bronze nadou em 4min41s19.
Colaborou Laudicéia Machea
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GE.Net - Houve um tempo que você chegou a dizer que
estava com medo de pular na piscina e dar seu melhor e que tinha
pensado em parar. Isso passou... como você lida com a natação
hoje?
JM - Passou! Eu passei por maus bocados nos últimos
três anos. A verdadeira historia é que na infância fui molestada
pelo meu técnico. Para ser mais exata, quando tinha nove anos.
Mas a mente tem um poder incrível e durante todos esses anos
eu tentei convencer a mim mesma que nada daquilo tinha acontecido,
que tinha sido fruto da minha imaginação. Mas como uma onda
muito forte, dez anos depois eu fui tomando consciência de
tudo que eu tinha sofrido. Foi muito doloroso, foi um processo
lento. Freqüentei psiquiatra e psicólogo, porque eu precisava
colocar aquilo tudo pra fora. Durante esse processo, tudo
na minha vida sofreu as conseqüências e com a natação não
poderia ter sido diferente. Mas hoje que eu estou bem, consigo
falar sobre isso. Parece que saiu um peso. Eu até pretendo,
no futuro, fazer algo em relação a outras crianças que sofrem
isso e têm medo, vergonha de contar pros pais como aconteceu
comigo. Minha mãe só soube no ano passado. O "medo" de cair
na piscina vinha daí. Os abusos aconteciam no clube, dentro
da piscina. Foi muito traumatizante, não foi fácil, mas eu
superei.
GE.Net - Vocês procuraram a polícia, a Justiça,
pretendem fazer algo desse tipo?
JM - Eu não tive coragem, afinal, já tinham se passado
dez anos. Que provas eu tinha? E isso tudo aconteceu dentro
de um clube, que também viria contra mim. Eu já estava tão
abalada. Quanto a ele, a vida e Deus vão dar o que ele merece.
Eu não quero de forma alguma saber da existência dele. O processo
que eu estava passando já era tão sofrido que não vi sentido
entrar na Justiça. Só seria mais sofrimento. Onze anos se
passaram e eu tô viva, tendo a oportunidade de começar de
novo, o que posso reclamar?
GE.Net - Sua mãe só soube no ano passado, foi mais
difícil admitir o que aconteceu ou contar para ela?
JM - Tinha dias que me encolhia na cama, e só fazia
chorar. Não conseguia que ninguém encostasse o dedo em mim.
Eu estava tão vulnerável que praticamente implorei que minha
mãe me ajudasse. Eu contei tudo. Foi saindo de uma vez, sabe?
Ela ficou parada, chocada, ‘tadinha’, me pediu desculpas!
Como se ela tivesse tido alguma culpa. Mas enfim, o mais difícil
foi reviver tudo isso, e depois me reconstruir.
GE.Net - Como você disse, a partir disso muita coisa
fica compreensível...
JM - Pois é, depois do tratamento comecei a pesquisar
as conseqüências e via que muito da minha personalidade, muito
da minha "agressividade" vinha daí. Durante o tratamento,
melhorei bastante. As pessoas mais próximas sentem essa diferença,
e nas outras áreas da minha vida, tudo vem melhorando, vem
clareando. A tempestade passou. Eu tinha duas opções: ou vivia
presa a esse triste episódio ou dava a cara à tapa e me tratava.
A segunda opção foi muito melhor pra mim.
GE.Net - Com todas estas mudanças, como você se
descreve hoje em relação ao que era? O que mudou em você?
JM - Foi tanta coisa!!! Eu hoje não deixo de viver,
de sentir nada na minha vida porque retrair as coisas pode
ser muito pior no futuro. Dou muito mais valor às pessoas
que estiveram comigo durante toda essa caminhada, minha mãe,
meus irmãos, meu namorado, minha sogra, todos eles foram primordiais.
Acho que se isso que passei é amadurecer, estou amadurecendo
aos poucos.
GE.Net - Logo após Atenas, quando você conseguiu
todo aquele destaque, as pessoas creditavam sua queda de rendimento
à pressão por novas performances marcantes. Hoje, você acha
que isso tinha a ver ou foi só a válvula para toda esta história
vir à tona?
JM - Foi tudo, eu não descarto nada. Sim, tive medo
da pressão das pessoas em mim e não nego isso. Juntando com
tudo que passei, caí de rendimento. Mas hoje, eu encaro a
pressão como algo motivador. Adoro quando alguém diz: "duvido
você fazer esse índice".
GE.Net - Você encara as Olimpíadas da mesma maneira
que antes?
JM - Por enquanto sim, se bem que estou mais disposta
a encarar a preparação que antes. Eu era mais "preguiçosa".
Agora, não vou medir esforços pra melhorar minha performance
lá. E a concorrência na minha prova também está bem maior,
as meninas melhoraram e eu não. Tenho de correr atrás.
GE.Net - Além do Sul-americano, quais outras competições
estão no seu calendário?
JM - A última seletiva em maio (Troféu Maria Lenk).
A partir daí, preciso esperar se a Confederação vai me dar
algum apoio ou vai repetir o Pan e me deixar de fora de todo
o programa. Caso isso aconteça, eu e meu técnico já temos
um plano B, fazendo outro treino de altitude e competindo,
provavelmente, alguma etapa do Mare Nostrum. Para isso, a
gente está economizando desde já e procurando patrocínio,
porque vai ser muito gasto.
GE.Net - A CBDA (Confederação Brasileira de Desporto
Aquático) é assim com todo mundo ou você acha que tem algo
pessoal?
JM - Sem dúvidas é pessoal. Pelo menos no ano passado
foi. Eu sou atleta do Nikita (o técnico) e ele não recebe
nada da CBDA, portanto, fala o que bem entende. Em 2004, eu
e ele tivemos problemas e não estávamos mais juntos. Isso
foi ótimo para eles porque fiquei "na mão deles", entende?
Mas hoje, é questão de honra mesmo. Depois do que passei,
do que o presidente disse a minha mãe e ao meu técnico, que
me apóiam incondicionalmente em todos os momentos, eu devo
a eles fidelidade e não à Confederação.
GE.Net - O que ele (Coaracy Nunes, presidente da
CBDA) falou que te deixou tão irritada?
JM - O que ele disse ao Nikita foi em relação à natação
e não me incomodou muito. O dia em que ele discutiu com minha
mãe no telefone e culpou a ela pelos meus maus resultados,
chegando a se meter em questões financeiras da minha família
e questionando a dignidade da minha mãe foi a coisa que mais
me doeu. Minha mãe é uma guerreira, leva a família nas costas,
era a última pessoa do mundo que merecia escutar isso e, ainda
por cima, de uma pessoa que nem a conhece! Podem falar o que
quiserem de mim, façam o que quiser, mas não digam nada a
respeito da minha mãe. Eu viro bicho, literalmente.
GE.Net - Como você avalia a situação da natação
feminina brasileira hoje?
JM - Acho que, de modo geral, está melhor. A natação
masculina é o carro chefe e não se pode reclamar. Se eles
dão mais resultados, merecem mais espaço, é justo. Mas todo
mundo sabe que o apoio podia ser maior até para os meninos.
Porque no Brasil, o apoio não é "para a natação" é, na verdade,
"para aquele atleta que está bem naquele momento" e para se
evoluir tem de ser feito um trabalho a longo prazo e isso
não existe no Brasil.
GE.Net - O que falta à modalidade?
JM - Deveria ser feita uma seleção permanente como
tem na ginástica artística. Também acho que os critérios de
convocação têm de ser sempre os mesmos. Cada vez é um critério
diferente de forma que a seleção nunca é a mesma. E, obviamente,
um patrocínio constante e não de dez meses. E também acho
que os técnicos deveriam ser mais bem pagos pela CBDA.
GE.Net - Pensando na coletividade e não apenas em
causa própria...
JM - Eles só recebem 20% do salário dos atletas,
que já não é grande coisa. Acho isso um absurdo. O meu técnico
nunca recebeu isso, sempre se negou, como forma de protesto,
e eu admiro isso nele. Porque o que acontece é que o técnico
recebe os 20% e fica preso à Confederação, não tem direito
de palavra. Aliás, nunca tem, mas quando recebe tem menos
ainda!
GE.Net - Esta polêmica em torno da Rebeca (suspensa
preventivamente por doping pela Fina e respondendo a processo
de falsidade ideológica na Justiça por ter apresentado amostra
de exame com dois DNAs diferentes), isto pode atrapalhar a
evolução?
JM - Atrapalha porque se continuar assim, a gente
deixa de competir como punição. Ou seja, atletas que não fazem
uso disso, pagam pelo erro de outros. Isso é um absurdo. O
controle de dopagem tem que ser mais severo, tem muito mais
gente. A Rebeca foi só uma e é uma pena que ela pague por
isso sozinha. Se fosse feito exame de doping nas categorias
de base e nas finais A do Troféu Brasil, acho que, por baixo,
dez pessoas seriam pegas.
GE.Net - A situação já está neste nível, desde a
base? É assim no mundo todo?
JM - Não sei a respeito do mundo todo, mas não ponho
a mão no fogo por ninguém. O que aborrece, por exemplo, é
que tem gente que melhora três segundos numa prova de 100
metros em meses e não é testado. Eles testam sempre as mesmas
pessoas! Como vão descobrir a origem desse jeito? Acho que
não se deveria medir esforços em relação ao esporte limpo.
Tem de se utilizar todos os meios porque não é justo com os
outros atletas. Quem se omite é mais culpado do que quem se
dopa porque, às vezes, você toma um remédio sem saber que
tem alguma substência proibida e acaba sua carreira. Nem sempre
os atletas que são pegos são "dopados", às vezes é por acidente.
Eu morro de medo, não tomo analgésico sem minha mãe consultar
a lista (de proibições). Agora, saber e não fazer nada a respeito
é muita covardia.
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