Voltar para a home Sexta, 09 de Janeiro de 2009 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
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Como era antes
Histórico:
1971 - 1979
1980 - 1986
1987 - 1992
1993 - 2000
2001 - 2008
Todos os campeões
Todas as finais:
1971 1990
1972 1991
1973 1992
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1977 1996
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1979 1998
1980 1999
1981 2000
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .CAMPEONATO BRASILEIRO
Como era antes do Campeonato Brasileiro

Mesmo trazido ao Brasil no final do século dezenove, o futebol só foi ter uma competição onde equipes de estados diferentes jogavam entre si a partir de 1933. Tratava-se da primeira edição do Torneio Rio-São Paulo. Naquele ano, o futebol brasileiro abandonava o amadorismo em busca de um profissionalismo que era iminente já havia tempos. A competição se tornou possível por meio da junção da Apea (Associação Paulista de Esportes Atléticos) com a LCF (Liga Carioca de Futebol) que criaram a FBF (Federação Brasileira de Futebol).

Campeões da
Taça Brasil
ano
time
1959
Bahia
1960
Palmeiras
1961
Santos
1962
Santos
1963
Santos
1964
Santos
1965
Santos
1966
Cruzeiro
1967
Palmeiras
1968
Botafogo
Campeões do
"Robertão"
ano
time
1967
Palmeiras
1968
Santos
1969
Palmeiras
1970
Fluminense

Sopa de letrinhas à parte, participaram do primeiro Rio-São Paulo 12 equipes, sendo cinco do Rio de Janeiro e sete paulistas. Os representantes cariocas eram América, Bangu, Bonsucesso, Fluminense e Vasco. Tanto o Flamengo quanto o Botafogo não participaram, pois ainda eram times amadores, ligados à Amea (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos). Os rubro-negros tentaram entrar durante a competição, mas não conseguiram. Corinthians, Palestra Itália (hoje Palmeiras), Portuguesa, Santos, São Bento, São Paulo da Floresta e Ypiranga foram os representes do estado de São Paulo. Para evitar que muitos clássicos fossem repetidos inutilmente em dois campeonatos, aceitou-se que eles fossem válidos pelos dois estaduais, bem como pelo Rio-São Paulo. Foi o que aconteceu na disputa da final em 12 de dezembro de 1933, por exemplo. O Palestra Itália, ao vencer o São Paulo da Floresta por 1 a 0, sagrou-se ao mesmo tempo campeão paulista e do Rio-São Paulo.

A fórmula, que era até certo ponto interessante, não vingou. Disputas e desentendimentos entre os dirigentes não permitiram que o Rio-São Paulo fosse disputado em 34. Com a fusão da FBF com a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) a idéia ficou por muito tempo enterrada. Somente em 1940, parecia que enfim o Rio-São Paulo iria ressuscitar. Chegou-se a organizar o torneio e várias partidas foram jogadas, mas como os estádios ficavam praticamente vazios, o campeonato não teve campeão e sequer acabou. Em 1942, outra tentativa, desta vez encarnada com o nome de Quinela de Ouro. Uma de suas peculiaridades foi o fato de todas as partidas terem sido realizadas no estádio do Pacaembu, na capital paulista. O título ficou com o Corinthians, mas a artilharia foi de Echevarrieta, do Palestra, com cinco gols.

Em 1950, a tragédia da derrota brasileira na final da Copa do Mundo, contra o Uruguai, em pleno Maracanã, levou algumas pessoas a temerem que o desinteresse pelo futebol esvaziasse os estádios. Afinal, a decepção com a virada por 2 a 1 dos uruguaios tomou todo o país. Justamente por essa razão, o jornalista Mário Filho, irmão do também jornalista e dramaturgo Nélson Rodrigues, sugeriu uma nova edição para o Rio-São Paulo. Ele acreditava que nada poderia ser mais eficiente para evitar os vazios nos estádios do que promover a disputa de uma competição entre times de estados que tinham e têm uma rivalidade histórica. Dessa forma, naquele mesmo ano, disputou-se o segundo Rio-São Paulo.

O campeão da segunda edição do Rio-São Paulo foi o Corinthians. O Palmeiras confirmou a superioridade paulista de então e ganhou seu segundo título numa época de grandes conquistas alviverdes. Os títulos da Portuguesa, em 1952 e 1955, foram intercalados pelos êxitos corintianos de 1953 e 1954. A primeira equipe do Rio de Janeiro a ser campeã foi o Fluminense em 1957. No ano seguinte, foi a vez do Vasco levantar a taça para os cariocas. O remédio idealizado por Mário Filho para que o futebol nacional não caísse no marasmo e no desinteresse mostrou um de seus maiores resultados quando, na Copa da Suécia em 58, o Brasil levantou a Taça Jules de Rimet pela primeira vez. A fórmula dava certo, mas ainda não integrava os demais estados brasileiros.

Para que houvesse uma disputa de âmbito nacional, e se escolhesse o representante brasileiro na primeira Copa Libertadores de América, foi criada a Taça Brasil, em 1959. Isso não significava mais uma morte para o Rio-São Paulo, mas indicava o crescimento do futebol pelo país. Reuniam-se na Taça Brasil os campeões estaduais do ano. Eles se enfrentavam em jogos eliminatórios de ida e volta. Seus vencedores foram os primeiros times a serem considerados campeões brasileiros.

Os anos cinqüenta terminavam com o início de uma era: o Santos com sua galeria de títulos que fizeram da Vila Belmiro um dos estádios mais famosos do mundo. E Pelé surgia como o maior jogador de todos os tempos. Não era nada fácil bater um time que iria impor sua hegemonia em todas as competições dos anos sessenta. Foram incontáveis títulos Paulistas. Na recém-criada Taça Brasil seriam cinco títulos em dez edições.

No entanto, o primeiro clube a ser campeão da Taça Brasil foi o Bahia. Ninguém acreditava que o campeão do Norte-Nordeste conseguiria tal feito, sequer seus próprios dirigentes. Além da vitória por 3 a 1 dos baianos sobre o Santos, no Maracanã, o Tricolor teve uma importante vitória em plena Vila Belmiro. Foi um 3 a 2 construído diante de uma torcida que calou-se ao perceber que o Bahia não se intimidava contra uma equipe com Coutinho, Pelé e Pepe. O time se garantiu com as boas defesas do goleiro Nandinho, com as subidas de Alencar e com um ataque formado por Bombeiro e Biriba. No primeiro tempo, ainda que os dois times apresentassem o mesmo volume de jogo, o Santos parecia melhor. Porém, no segundo tempo, o Bahia sentiu que poderia derrotar o alvinegro, colocando um placar que daria segurança para a conquista histórica.

Um ano depois, o campeão da Taça Brasil foi o Palmeiras. O primeiro título do Santos veio em 1961. Na verdade, tratou-se da primeira de cinco conquistas consecutivas na competição nacional. O time da Baixada era implacável. Prova disso foi dada na decisão de 1963, quando em pleno Maracanã o Botafogo foi derrotado por 5 a 0, com gols de Dorval, Pepe, Coutinho e dois de Pelé.

A exemplo dos outros anos, em 1966 a impressão era de que o Santos seria campeão mais uma vez. Afinal de contas, desde o surgimento da Taça Brasil, os santistas não paravam de acumular vitórias. Em 1959, foi o Rio-São Paulo. Em 62 e 63, foram as duas Copas Libertadores da América acompanhadas por dois Mundiais de Clubes. Contudo, do outro lado do gramado nos dois jogos da decisão estava o Cruzeiro, campeão mineiro de 1965. Na primeira partida no Mineirão, o Santos foi surpreendido por uma torcida animada e pelo bom futebol apresentado pela Raposa. Dirceu Lopes e Tostão ajudaram a derrotar o Santos por 6 a 2. Apesar do vexame, os jogadores do alvinegro achavam que poderiam inverter a desvantagem. Caso conseguissem, adiariam tudo para um terceiro jogo. Só que o Cruzeiro fez 3 a 2 no Pacaembu numa partida que, apesar de um pênalti perdido, teve Tostão como o grande nome. O Cruzeiro ganhava a Taça Brasil e a vaga na Libertadores.

O ano de 1966 foi também marcado pela última edição do Rio-São Paulo antes do intervalo que durou até 1993. A competição entre os dois estados teve quatro campeões naquela edição. Botafogo, Corinthians, Santos e Vasco dividiram o título, pois o futebol brasileiro começava a colocar seus olhares na Copa da Inglaterra. Com a derrota no mundial, havia a necessidade de uma reformulação no esporte visando já a Copa do México.

O Palmeiras sagrou-se bicampeão em 1967 e o Botafogo conquistou o título em 1968, último ano da história da Taça Brasil.

Assim, a partir de 1967 começou a ser disputado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa que ficou conhecido também como Taça de Prata. O Robertão era o Rio-São Paulo, mas com representantes de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Na primeira edição, durante a primeira fase, a melhor campanha foi do Corinthians. Classificado para o quadrangular final, o time do Parque São Jorge decepcionou. O campeão foi o Palmeiras, com o Internacional em segundo lugar. Um dos destaque do alviverde era o ponta Gallardo que tinha a difícil tarefa de ser o substituto do ídolo Júlio Botelho. Os palmeirenses ainda contavam com Djalma Santos, que se despedia do clube, e Ademir da Guia.

Em 1968, foi a vez do Santos aumentar sua coleção de taças. Numa competição que passava a contar com participantes baianos, o time vinha com um novo elenco, formado por jogadores recém-contratados como Rildo, o goleiro Cláudio e Ramos Delgado. Além disso, revelava-se na Vila Belmiro o meia Clodoaldo. Dos 19 jogos que fez em turno único, o Santos teve 12 vitórias, quatro empates e três derrotas. O campeão paulista daquele ano marcou 43 gols durante o Robertão.

O Palmeiras conseguiu o bicampeonato da Taça de Prata em 1969. Foi um dos primeiros títulos de Leão com a camisa do alviverde que ainda contava com a habilidade de Ademir da Guia e a segurança de Dudu. Contra o Botafogo na partida decisiva, a vitória por 3 a 1 diante do Botafogo no Morumbi mostrou a superioridade palmeirense. O Cruzeiro foi o vice e o Corinthians o terceiro lugar. Restou ao Botafogo a quarta colocação. A campanha do Palmeiras na competição foi um tanto irregular. Dos 19 jogos, foram dez vitórias, mas seis derrotas e três empates.

O último Robertão, ou Taça de Prata, foi disputado em 1970, ano em que o Brasil conquistou o tricampeonato na Copa do Mundo do México. Nessa edição, ao contrário dos anos anteriores, os paulistas não tiveram êxito, apesar do favoritismo. O Fluminense, com uma equipe modesta, onde as maiores estrelas eram Cafuringa e o goleiro Félix, foi batendo seus adversários graças à ofensividade do centroavante Flávio. No entanto, no empate por 1 a 1 contra o Atlético/MG, Flávio estava contundido e não tinha condições de jogo. A missão de garantir o título inédito para o Tricolor estava nos pés de um jovem de 22 anos chamado Mickey. Com o bom futebol do estreante, o Fluminense segurou o empate contra o Galo de Telê Santana e foi o campeão do último Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Campeões brasileiros
(incluindo títulos
anteriores a 1971)
Palmeiras
8
-
Santos
8
São Paulo
6
Flamengo
5
Vasco
4
-
Corinthians
4
Internacional
3
Grêmio
2
-
Fluminense
2
-
Bahia
2
-
Botafogo-RJ
2
-
Cruzeiro
2
13º
Atlético-MG
1
-
Guarani
1
-
Coritiba
1
-
Atlético/PR
1

A necessidade passava a ser a criação de uma competição nacional que pudesse abranger o maior número de estados do Brasil. A partir daí, o então presidente da CBD, João Havelange, que dirigiria a Fifa por 24 anos, instituiu o Campeonato Brasileiro que até os dias de hoje vem ajudando a revelar jogadores e a escrever a história do futebol do país.

CBF ignora a história

Ao longo dos muitos anos em que comanda uma competição de âmbito nacional, desde 1959, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebeu muitas críticas por desmandos e atitudes não condizentes com a condição de entidade destinada a organizar o futebol brasileiro. Talvez, a mais ingrata delas seja a de não reconhecer todos os campeões nacionais antes da criação do Campeonato Brasileiro, em 1971.

Com a conquista do tricampeonato no México, em 1970, a entidade resolveu criar uma nova era para o futebol brasileiro e implantou o projeto do Campeonato Brasileiro que, com as exceções dos anos de 1987 e 2000, seguiu até hoje, logicamente com inúmeros problemas.

A CBF acena com a possibilidade e reconhecer os títulos das equipes que venceram torneios nacionais antes de 1971.

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