Como era antes do
Campeonato Brasileiro
Mesmo trazido ao Brasil no final do século dezenove, o futebol
só foi ter uma competição onde equipes de estados diferentes
jogavam entre si a partir de 1933. Tratava-se da primeira edição
do Torneio Rio-São Paulo. Naquele ano, o futebol brasileiro
abandonava o amadorismo em busca de um profissionalismo que
era iminente já havia tempos. A competição se tornou possível
por meio da junção da Apea (Associação Paulista de Esportes
Atléticos) com a LCF (Liga Carioca de Futebol) que criaram a
FBF (Federação Brasileira de Futebol).
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Campeões da
Taça Brasil
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ano
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time
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1959
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Bahia
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1960
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Palmeiras
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1961
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Santos
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1962
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Santos
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1963
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Santos
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1964
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Santos
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1965
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Santos
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1966
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Cruzeiro
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1967
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Palmeiras
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1968
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Botafogo
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Campeões do
"Robertão"
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ano
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time
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1967
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Palmeiras
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1968
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Santos
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1969
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Palmeiras
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1970
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Fluminense
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Sopa de letrinhas à parte, participaram do primeiro Rio-São
Paulo 12 equipes, sendo cinco do Rio de Janeiro e sete paulistas.
Os representantes cariocas eram América, Bangu, Bonsucesso,
Fluminense e Vasco. Tanto o Flamengo quanto o Botafogo não
participaram, pois ainda eram times amadores, ligados à Amea
(Associação Metropolitana de Esportes Atléticos). Os rubro-negros
tentaram entrar durante a competição, mas não conseguiram.
Corinthians, Palestra Itália (hoje Palmeiras), Portuguesa,
Santos, São Bento, São Paulo da Floresta e Ypiranga foram
os representes do estado de São Paulo. Para evitar que muitos
clássicos fossem repetidos inutilmente em dois campeonatos,
aceitou-se que eles fossem válidos pelos dois estaduais, bem
como pelo Rio-São Paulo. Foi o que aconteceu na disputa da
final em 12 de dezembro de 1933, por exemplo. O Palestra Itália,
ao vencer o São Paulo da Floresta por 1 a 0, sagrou-se ao
mesmo tempo campeão paulista e do Rio-São Paulo.
A fórmula, que era até certo ponto interessante, não vingou.
Disputas e desentendimentos entre os dirigentes não permitiram
que o Rio-São Paulo fosse disputado em 34. Com a fusão da
FBF com a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) a idéia
ficou por muito tempo enterrada. Somente em 1940, parecia
que enfim o Rio-São Paulo iria ressuscitar. Chegou-se a organizar
o torneio e várias partidas foram jogadas, mas como os estádios
ficavam praticamente vazios, o campeonato não teve campeão
e sequer acabou. Em 1942, outra tentativa, desta vez encarnada
com o nome de Quinela de Ouro. Uma de suas peculiaridades
foi o fato de todas as partidas terem sido realizadas no estádio
do Pacaembu, na capital paulista. O título ficou com o Corinthians,
mas a artilharia foi de Echevarrieta, do Palestra, com cinco
gols.
Em 1950, a tragédia da derrota brasileira na final da Copa
do Mundo, contra o Uruguai, em pleno Maracanã, levou algumas
pessoas a temerem que o desinteresse pelo futebol esvaziasse
os estádios. Afinal, a decepção com a virada por 2 a 1 dos
uruguaios tomou todo o país. Justamente por essa razão, o
jornalista Mário Filho, irmão do também jornalista e dramaturgo
Nélson Rodrigues, sugeriu uma nova edição para o Rio-São Paulo.
Ele acreditava que nada poderia ser mais eficiente para evitar
os vazios nos estádios do que promover a disputa de uma competição
entre times de estados que tinham e têm uma rivalidade histórica.
Dessa forma, naquele mesmo ano, disputou-se o segundo Rio-São
Paulo.
O campeão da segunda edição do Rio-São Paulo foi o Corinthians.
O Palmeiras confirmou a superioridade paulista de então e
ganhou seu segundo título numa época de grandes conquistas
alviverdes. Os títulos da Portuguesa, em 1952 e 1955, foram
intercalados pelos êxitos corintianos de 1953 e 1954. A primeira
equipe do Rio de Janeiro a ser campeã foi o Fluminense em
1957. No ano seguinte, foi a vez do Vasco levantar a taça
para os cariocas. O remédio idealizado por Mário Filho para
que o futebol nacional não caísse no marasmo e no desinteresse
mostrou um de seus maiores resultados quando, na Copa da Suécia
em 58, o Brasil levantou a Taça Jules de Rimet pela primeira
vez. A fórmula dava certo, mas ainda não integrava os demais
estados brasileiros.
Para que houvesse uma disputa de âmbito nacional, e se escolhesse
o representante brasileiro na primeira Copa Libertadores de
América, foi criada a Taça Brasil, em 1959. Isso não significava
mais uma morte para o Rio-São Paulo, mas indicava o crescimento
do futebol pelo país. Reuniam-se na Taça Brasil os campeões
estaduais do ano. Eles se enfrentavam em jogos eliminatórios
de ida e volta. Seus vencedores foram os primeiros times a
serem considerados campeões brasileiros.
Os anos cinqüenta terminavam com o início de uma era: o Santos
com sua galeria de títulos que fizeram da Vila Belmiro um
dos estádios mais famosos do mundo. E Pelé surgia como o maior
jogador de todos os tempos. Não era nada fácil bater um time
que iria impor sua hegemonia em todas as competições dos anos
sessenta. Foram incontáveis títulos Paulistas. Na recém-criada
Taça Brasil seriam cinco títulos em dez edições.
No entanto, o primeiro clube a ser campeão da Taça Brasil
foi o Bahia. Ninguém acreditava que o campeão do Norte-Nordeste
conseguiria tal feito, sequer seus próprios dirigentes. Além
da vitória por 3 a 1 dos baianos sobre o Santos, no Maracanã,
o Tricolor teve uma importante vitória em plena Vila Belmiro.
Foi um 3 a 2 construído diante de uma torcida que calou-se
ao perceber que o Bahia não se intimidava contra uma equipe
com Coutinho, Pelé e Pepe. O time se garantiu com as boas
defesas do goleiro Nandinho, com as subidas de Alencar e com
um ataque formado por Bombeiro e Biriba. No primeiro tempo,
ainda que os dois times apresentassem o mesmo volume de jogo,
o Santos parecia melhor. Porém, no segundo tempo, o Bahia
sentiu que poderia derrotar o alvinegro, colocando um placar
que daria segurança para a conquista histórica.
Um ano depois, o campeão da Taça Brasil foi o Palmeiras. O
primeiro título do Santos veio em 1961. Na verdade, tratou-se
da primeira de cinco conquistas consecutivas na competição
nacional. O time da Baixada era implacável. Prova disso foi
dada na decisão de 1963, quando em pleno Maracanã o Botafogo
foi derrotado por 5 a 0, com gols de Dorval, Pepe, Coutinho
e dois de Pelé.
A exemplo dos outros anos, em 1966 a impressão era de que
o Santos seria campeão mais uma vez. Afinal de contas, desde
o surgimento da Taça Brasil, os santistas não paravam de acumular
vitórias. Em 1959, foi o Rio-São Paulo. Em 62 e 63, foram
as duas Copas Libertadores da América acompanhadas por dois
Mundiais de Clubes. Contudo, do outro lado do gramado nos
dois jogos da decisão estava o Cruzeiro, campeão mineiro de
1965. Na primeira partida no Mineirão, o Santos foi surpreendido
por uma torcida animada e pelo bom futebol apresentado pela
Raposa. Dirceu Lopes e Tostão ajudaram a derrotar o Santos
por 6 a 2. Apesar do vexame, os jogadores do alvinegro achavam
que poderiam inverter a desvantagem. Caso conseguissem, adiariam
tudo para um terceiro jogo. Só que o Cruzeiro fez 3 a 2 no
Pacaembu numa partida que, apesar de um pênalti perdido, teve
Tostão como o grande nome. O Cruzeiro ganhava a Taça Brasil
e a vaga na Libertadores.
O ano de 1966 foi também marcado pela última edição
do Rio-São Paulo antes do intervalo que durou até 1993. A
competição entre os dois estados teve quatro campeões naquela
edição. Botafogo, Corinthians, Santos e Vasco dividiram o
título, pois o futebol brasileiro começava a colocar seus
olhares na Copa da Inglaterra. Com a derrota no mundial, havia
a necessidade de uma reformulação no esporte visando já a
Copa do México.
O Palmeiras sagrou-se bicampeão em 1967 e o Botafogo conquistou
o título em 1968, último ano da história
da Taça Brasil.
Assim, a partir de 1967 começou a ser disputado o Torneio
Roberto Gomes Pedrosa que ficou conhecido também como Taça
de Prata. O Robertão era o Rio-São Paulo, mas com representantes
de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Na primeira edição,
durante a primeira fase, a melhor campanha foi do Corinthians.
Classificado para o quadrangular final, o time do Parque São
Jorge decepcionou. O campeão foi o Palmeiras, com o Internacional
em segundo lugar. Um dos destaque do alviverde era o ponta
Gallardo que tinha a difícil tarefa de ser o substituto do
ídolo Júlio Botelho. Os palmeirenses ainda contavam com Djalma
Santos, que se despedia do clube, e Ademir da Guia.
Em 1968, foi a vez do Santos aumentar sua coleção de taças.
Numa competição que passava a contar com participantes baianos,
o time vinha com um novo elenco, formado por jogadores recém-contratados
como Rildo, o goleiro Cláudio e Ramos Delgado. Além disso,
revelava-se na Vila Belmiro o meia Clodoaldo. Dos 19 jogos
que fez em turno único, o Santos teve 12 vitórias, quatro
empates e três derrotas. O campeão paulista daquele ano marcou
43 gols durante o Robertão.
O Palmeiras conseguiu o bicampeonato da Taça de Prata em 1969.
Foi um dos primeiros títulos de Leão com a camisa do alviverde
que ainda contava com a habilidade de Ademir da Guia e a segurança
de Dudu. Contra o Botafogo na partida decisiva, a vitória
por 3 a 1 diante do Botafogo no Morumbi mostrou a superioridade
palmeirense. O Cruzeiro foi o vice e o Corinthians o terceiro
lugar. Restou ao Botafogo a quarta colocação. A campanha do
Palmeiras na competição foi um tanto irregular. Dos 19 jogos,
foram dez vitórias, mas seis derrotas e três empates.
O último Robertão, ou Taça de Prata, foi disputado em 1970,
ano em que o Brasil conquistou o tricampeonato na Copa do
Mundo do México. Nessa edição, ao contrário dos anos anteriores,
os paulistas não tiveram êxito, apesar do favoritismo. O Fluminense,
com uma equipe modesta, onde as maiores estrelas eram Cafuringa
e o goleiro Félix, foi batendo seus adversários graças à ofensividade
do centroavante Flávio. No entanto, no empate por 1 a 1 contra
o Atlético/MG, Flávio estava contundido e não tinha condições
de jogo. A missão de garantir o título inédito para o Tricolor
estava nos pés de um jovem de 22 anos chamado Mickey. Com
o bom futebol do estreante, o Fluminense segurou o empate
contra o Galo de Telê Santana e foi o campeão do último Torneio
Roberto Gomes Pedrosa.
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Campeões brasileiros
(incluindo títulos
anteriores a 1971)
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1º
|
Palmeiras
|
8
|
|
-
|
Santos
|
8
|
|
3º
|
São Paulo
|
6
|
|
4º
|
Flamengo
|
5
|
|
5º
|
Vasco
|
4
|
|
-
|
Corinthians
|
4
|
|
7º
|
Internacional
|
3
|
|
8º
|
Grêmio
|
2
|
|
-
|
Fluminense
|
2
|
|
-
|
Bahia
|
2
|
|
-
|
Botafogo-RJ
|
2
|
|
-
|
Cruzeiro
|
2
|
|
13º
|
Atlético-MG
|
1
|
|
-
|
Guarani
|
1
|
|
-
|
Coritiba
|
1
|
|
-
|
Atlético/PR
|
1
|
|
|
A necessidade passava a ser a criação de uma competição nacional
que pudesse abranger o maior número de estados do Brasil.
A partir daí, o então presidente da CBD, João Havelange, que
dirigiria a Fifa por 24 anos, instituiu o Campeonato Brasileiro
que até os dias de hoje vem ajudando a revelar jogadores e
a escrever a história do futebol do país.
CBF ignora a história
Ao longo dos muitos anos em que comanda uma competição de
âmbito nacional, desde 1959, a Confederação
Brasileira de Futebol (CBF) recebeu muitas críticas por desmandos
e atitudes não condizentes com a condição de entidade destinada
a organizar o futebol brasileiro. Talvez, a mais ingrata delas
seja a de não reconhecer todos os campeões nacionais antes
da criação do Campeonato Brasileiro, em 1971.
Com a conquista do tricampeonato no México, em 1970, a entidade
resolveu criar uma nova era para o futebol brasileiro e implantou
o projeto do Campeonato Brasileiro que, com as exceções dos
anos de 1987 e 2000, seguiu até hoje, logicamente com inúmeros
problemas.
A CBF acena com a possibilidade e reconhecer os títulos das
equipes que venceram torneios nacionais antes de 1971.
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