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Histórico - 1987 a 1992
Clube dos 13 e a Copa União
As decisões do CND, tomadas em outubro de 1986, viraram
fumaça com o episódio dos "36 do Nacional":
seriam 28 os times da primeira divisão de 1987. As novas
propostas foram para o lixo definitivamente com a decisão
do recém-criado Clube dos 13: a nova associação
enfrentou a CBF e criou um novo campeonato, novamente com o
objetivo de reverter os prejuízos.
A criação da Copa União surgiu após
uma conciliação entre a CBF e o Clube, já
que uma desobediência à entidade poderia provocar
reações da Fifa. O novo campeonato, composto
além dos 13 do clube por Goiás, Santa Cruz e
Coritiba, ficou sendo a primeira divisão, batizado
de Módulo Verde. A CBF organizou outros três
módulos - amarelo, azul e branco, respectivamente segunda,
terceira e quarta divisões. Foi a primeira tentativa
dos clubes grandes de "preservar a tradição",
já que nenhum dos 16 clubes seriam rebaixados para
o ano seguinte.
Quando tudo parecia definitivamente encaminhado, a CBF decidiu
alterar o regulamento, pressionada politicamente, durante
a competição. Criou um quadrangular final entre
o campeão e vice dos módulos verde e amarelo,
de onde sairia o campeão brasileiro de 1987.
Em dezembro de 1987, após a confirmação
dos quatro times finalistas em cada módulo (Flamengo,
Inter-RS, Sport e Guarani), a CBF anunciou a tabela deste
quadrangular, que seria disputado em turno e returno: Sport
e Inter jogariam em 23 de janeiro de 88. Alegando que o regulamento
foi alterado à revelia do Clube dos 13, Flamengo e
Inter se recusaram a disputar.
Em maio de 1988, a CBF anunciou o Sport e Guarani como campeão
e vice de 87. Na época, o presidente do clube pernambucano
Homero Lacerda foi além: "de acordo com um artigo
do CND, o clube que abandona uma competição
deve ser rebaixado. Se for cumprido, Flamengo e Inter devem
cair".
Nada disso aconteceu, e a Copa União voltou em 1988.
Desta vez, porém, com a primeira divisão novamente
controlada pela CBF como sendo a primeira divisão,
mas com 24 clubes: além dos 16 do ano anterior, Sport,
Guarani, Atlético Paranaense, Bangu, Criciúma,
Vitória, Portuguesa e América - este último,
mesmo sem ter disputado o Módulo Amarelo em 87, foi
convidado por ter sido o quarto lugar do Brasileirão
de 86. Pela primeira vez, clubes seriam rebaixados e promovidos
para o ano seguinte.
Novamente com o controle da competição, o torneio
passou a ser chamado Campeonato Brasileiro a partir de 1989.
O sistema de rebaixamento e promoção funcionou
bem entre 1988 e 1992, mantendo 20 clubes na primeira divisão
nacional durante três campeonatos seguidos. Em 1991,
o Grêmio do técnico Cláudio Duarte caiu
para a Segundona: foram três vitórias, seis empates
e dez derrotas naquele campeonato.
O time, que faz parte do Clube dos 13, disputou a segunda
divisão em 1992, mas com um desempenho pífio,
terminou apenas no 11º lugar. Os dirigentes dos grandes
clubes apresentaram, em 1993, uma nova proposta para a CBF:
um campeonato de 32 equipes, divididas em quatro grupos. Com
um detalhe: 16 deles estariam garantidos automaticamente no
Brasileirão do ano seguinte, salvando-se do rebaixamento.
Inclusive o Grêmio.
Apesar da polêmica, a proposta foi aceita no final
de agosto de 1993. Melhor para Bahia, Botafogo e Atlético
Mineiro, que terminaram a competição nas últimas
posições, mas garantiram presença para
o ano seguinte.
1987
Antes do enrosco entre a primeira e segunda fase da Copa
Brasil de 1986, o Conselho Nacional de Desportos (CND),
presidido por Manoel Tubino, havia elaborado uma série de
medidas com o intuito de moralizar o futebol brasileiro:
duas divisões a partir de 87, a primeira com 24 clubes,
número que seria reduzido a 20 em 1988 com a presença, pela
primeira vez, do rebaixamento.
Mas a mudança do regulamento - que passou de 32 para 36
o número de equipes na fase final daquele ano - abriu um
perigoso precedente, colocando em dúvida a execução das
medidas. Para acabar com a palhaçada de uma vez por todas,
os treze clubes de maior torcida do Brasil se uniram, formaram
uma entidade e resolveram colocar ordem na casa.
Nascia ali o Clube dos 13 e a Copa União, um campeonato
forte que tinha o mesmo objetivo da antiga Taça de Ouro:
tornar o Nacional rentável. Além dos 13, Goiás, Santa Cruz
e Coritiba também participaram do torneio.
Os 16 times foram divididos em duas chaves de oito. No primeiro
turno, jogaram com times do outro grupo, e no segundo turno,
jogaram com os clubes de suas próprias chave. Os vencedores
de cada grupo em cada turno disputaram as semifinais.
A CBF tratou de organizar o restante dos times em outras
duas divisões "oficiais". E durante o ano, decidiu que os
dois primeiros colocados da Copa União teriam que jogar
um quadrangular com os finalistas do "Módulo Amarelo" para
decidir o título brasileiro.
Com a recusa de Flamengo e Inter, sobrou uma polêmica que
sobrevive até hoje: quem é o verdadeiro campeão brasileiro
de 87? Outra discussão que alimenta a rivalidade dos torcedores
paulistas: como terminaram nas últimas posições, Santos
e Corinthians não mereceriam o rebaixamento?
1988
Assim como no ano anterior, o nome permanece sendo Copa
União. Mas para evitar a encrenca do ano anterior, a primeira
divisão voltou a ser organizada - e oficializada - pela
CBF. Além disso, ao invés de 16, foram 24 participantes:
os mesmos do ano passado além de Sport, Guarani, Atlético
Paranaense, Bangu, Criciúma, Vitória, Portuguesa e América
- este último, mesmo sem ter disputado o Módulo Amarelo
em 87, foi convidado por ter sido o quarto lugar do Brasileirão
de 86.
Outra novidade: a partir desse ano, passou a valer o rebaixamento
para os quatro últimos e promoção do campeão e do vice da
segunda divisão. Bangu, Santa Cruz, Criciúma e América/RJ
foram os primeiros times rebaixados da história do futebol
brasileiro.
A primeira fase do Brasileirão de 88 dividiu os times em
dois grupos de 12, cada um deles enfrentou as equipes da
outra chave no primeiro turno e se enfrentaram entre si
no segundo. Os dois primeiros de cada grupo em cada turno
se classificaram para as quartas-de-final.
Nas semifinais deste campeonato, o tradicional clássico
gaúcho foi considerado o "Grenal do século", por dar ao
vencedor a vaga na Libertadores e a chance de disputar o
título brasileiro. O Inter venceu o confronto, mas perdeu
a decisão para outro tricolor.
1989
Agora o torneio voltou a se chamar Campeonato Brasileiro,
cuja primeira divisão foi disputada por 22 equipes. Elas
foram divididas em dois grupos de 11 na primeira fase, enfrentando-se
em somente um único turno dentro do próprio grupo.
Os oito primeiros colocados de cada um se classificaram
para a segunda fase. Mantidos nos mesmos grupos, as dezesseis
equipes passaram a jogar com os times da outra chave. Os
campeões de cada um desses grupos disputaram a final. A
esquisitice do regulamento perdurou até a final - o Vasco,
por ter a melhor campanha, poderia escolher o local do primeiro
jogo da final. Curiosamente, eles optaram pela partida decisiva
no Morumbi.
Dos outros seis times restantes, cinco disputaram um "torneio
da morte", que definiu três rebaixados. O Coritiba, por
ter se recusado a entrar em campo diante do Santos em Juiz
de Fora, no último jogo do primeiro turno, foi rebaixado
direto, além de ter perdido os direitos de disputar qualquer
torneio nacional por um ano. Caíram ainda Sport, Atlético-PR
e Guarani. Bahia e Vitória se salvaram graças ao rebolo.
1990
Por enquanto, tudo certo. 20 participantes, que foram dividos
em dois grupos de 10. No primeiro turno, cada equipe enfrentou
os times do seu grupo, enquanto no segundo turno os clubes
jogaram com as equipes do outro grupo. Classificaram-se
para as quartas-de-final os vencedores dos dois grupos nos
dois turnos, além de quatro times que obtiveram melhor índice
técnico, considerando os dois turnos. Ao contrário dos outros
anos, apenas duas equipes, as de pior índice técnico, foram
rebaixadas.
1991
Nunca um Campeonato Brasileiro teve um regulamento tão fácil.
As 20 equipes formaram um único grupo e jogaram um único
turno. Era para ser assim, segundo a CBF. Mas os clubes
alegaram que "a torcida só vai ao estádio na final". Por
isso, os quatro primeiros colocados disputaram semifinais,
em jogos de ida e volta.
Nesse ano, Grêmio e Vitória, duas grandes equipes do futebol
nacional, fizeram um papelão, e caíram para a segundona.
1992
Foi a última vez em que se viu 20 clubes disputarando a
primeira divisão do Brasileiro. Na primeira fase, jogaram
todos contra todos num único turno. Os oito primeiros foram
reagrupados em outros dois grupos de quatro, jogando em
turno e returno. Os primeiros colocados de cada grupo fizeram
a final.
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