O Fluminense chegará muito pressionado para o clássico desta quinta-feira, às 21 horas (de Brasília), diante do Botafogo, no Engenhão, pelas semifinais da Taça Guanabara. Vários fatores deixam o Tricolor com uma grande responsabilidade diante do Glorioso e um tropeço pode tornar o ambiente das Laranjeiras muito tumultuado.
O primeiro fator é um longo jejum em clássicos. O Fluminense não consegue derrotar um dos três principais rivais do Estado desde o segundo turno do Campeonato Brasileiro de 2010, quando fez 1 a 0 no Vasco. Por sinal, este foi o único clássico que o time das Laranjeiras conseguiu vencer dentre os 17 que já disputou no Engenhão. O Botafogo, adversário desta quarta-feira, não sabe o que é ser derrotado pelo Tricolor desde maio de 2010, quando caiu por 2 a 1 no Maracanã.
Aliás, o desempenho em jogos decisivos contra o Botafogo também é algo que precisa ser mudado para o Fluminense decidir a Taça Guanabara. Todas as vezes em que os dois clubes se encontraram em jogos decisivos pelo Estadual, desde que este sistema de disputa foi adotado, em 2004, o Glorioso saiu vitorioso.
Foi assim na semifinal da Taça Guanabara de 2008 (2 a 0), na final da Taça Rio de 2008 (1 a 0), na semifinal da Taça Guanabara de 2009 (1 a 0) e na semifinal da Taça Rio de 2010 (3 a 2). O Fluminense não sabe o que é ganhar uma semifinal de Taça Guanabara desde 2004, quando superou o Americano de Campos por 2 a 1.
A irregularidade do time atual é outro fator que o Fluminense precisa superar. O Tricolor se classificou para as semifinais desta Taça Guanabara apenas na última rodada, quando derrotou o Bangu por 3 a 0. Mesmo assim, a vaga só veio porque o Vasco derrotou o Boavista por 1 a 0. Alguns tropeços, como a derrota por 2 a 1 para o Boavista e o empate por 1 a 1 com o Duque de Caxias, deixaram o técnico Abel Braga na corda bamba.
Apesar do presidente Peter Siemsen, do diretor de futebol Rodrigo Caetano e de Celso Barros, presidente da Unimed, parceira do futebol tricolor, garantirem que Abel Braga não está ameaçado, a eliminação no clássico pode custar o cargo ao treinador. Nos bastidores das Laranjeiras, há quem garanta que Renato Gaúcho já foi procurado e que Abel, sabendo disso, estaria de malas prontas para o Grêmio, que demitiu Caio Junior na segunda-feira.
É neste cenário pouco favorável que o Fluminense vai medir forças com o Botafogo. Mesmo assim, os jogadores procuram deixar a pressão de lado e se concentrar apenas nesta partida.
"Sabemos da importância de vencer este clássico e do desejo que a nossa torcida tem de conquistar o título do Campeonato Estadual. Estamos deixando tudo de lado e focamos apenas no Botafogo", garantiu o volante Edinho.
Provavelmente Abel Braga não vai divulgar muito antes do tempo a escalação que vai enfrentar o Botafogo. O zagueiro Leandro Euzébio e o meia Deco, que estavam sendo preservados por conta de cansaço muscular, reaparecem nas vagas de Digão e Araújo, respectivamente.
Assim, o esquema com três atacantes acaba sendo desfeito e a dupla de frente será composta por Wellington Nem e Fred. Desta maneira, o Tricolor deverá ir a campo com a seguinte formação: Diego Cavalieri, Bruno, Leandro Euzébio, Anderson e Carlinhos; Edinho, Diguinho, Deco e Thiago Neves; Wellington Nem e Fred.
Nesta quarta-feira, o grupo trabalhará na parte da tarde, nas Laranjeiras, e depois começa o período de concentração para o clássico. Fora de campo, um boato nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro dava conta de que o meia Bernardo, em litígio com o Vasco por conta dos atrasos salariais, estaria a caminho das Laranjeiras.
Parte da imprensa vem noticiando que a decisão do atleta de acionar o Cruz-maltino na Justiça contou com influência de dirigentes do Fluminense. Porém, o Tricolor tem negado que esteja negociando com o apoiador, que também estaria nos planos do Santos, embora não tenha descartado a possibilidade de permanecer em São Januário.