Ao ganhar aval para formar uma equipe de polo do Corinthians, o empresário Felipe Rodrigues queria ter ao seu lado apenas jogadores que torcessem pelo clube alvinegro. “Achei importante pelo fato de os corintianos mais fanáticos reconhecerem as tradições do escudo e da torcida”, contou. Ele não conseguiria abrir mão, no entanto, de contar com o experiente Calão Mello em sua equipe.
Manager e principal atleta do Corinthians Polo Team – apesar de já ter simpatizado com um rival da capital paulista –, Calão é professor de polo de Felipe, foi capitão da Seleção Brasileira em três Mundiais e treinador no vice-campeonato conquistado na última edição do torneio, em 2011. Um dos feitos mais recentes do veterano comprova a sua importância para o esporte no Brasil: acabou eleito o melhor jogador na partida que o príncipe Harry, o terceiro na linhagem sucessória do trono britânico, disputou no interior de São Paulo no mês passado.
Leia também:
Corinthians enfrenta rótulo de "playboy" para popularizar polo
Jogos com Boca podem dar título internacional ao Corinthians
"Pelé do polo" conquista barras bravas e serve de exemplo
Em 11 de março, o príncipe Harry esteve no Haras Larissa para disputar um amistoso de polo contra amigos do argentino Nacho Figueras, um dos jogadores mais renomados da modalidade atualmente. O evento serviu para arrecadar fundos para a Sentebale, instituição beneficente fundada pelo jovem inglês para ajudar crianças de Lesoto (território independente situado na África do Sul).
Convidado para atuar no mesmo time do príncipe, Calão Mello sentiu-se lisonjeado. “Foi muito legal, ainda mais por ter visto que ele é uma pessoa bem simples. Mais do que ser o MVP daquele jogo, uma conquista que levarei comigo na memória, achei importante participar em função da causa nobre que o príncipe Harry promoveu”, comentou o jogador do Corinthians.
Durante a partida, Harry também ficou um pouco mais íntimo dos demais jogadores ao gritar bastante em busca da vitória. “Ele estava bem engajado, brigando por cada jogada, tentando organizar o time. Foi um prazer tê-lo como companheiro”, elogiou Calão, sem disfarçar que o britânico ainda precisa evoluir no polo. “O que você achou da atuação dele?”, desconversou, repassando essa pergunta para um amigo. “Digamos que foi mais ou menos, não é?”, brincou em seguida.
Com esse bom humor, Calão terá facilidade para se entrosar também entre corintianos. “Ele foi o MVP no jogo do príncipe! Precisamos dizer mais alguma coisa? Mesmo não jogando com eles, tive o prazer de estar ao lado do Harry, já que almoçamos muito próximos naquele dia. É uma pessoa com uma luz incrível, que faz um belo trabalho social”, enalteceu Felipe Rodrigues, abrindo-se a torcedores de outros clubes que tenham uma postura semelhante. “Jamais restringiria o Corinthians Polo Team a alguém que não fosse corintiano, desde que essa pessoa compartilhasse os nossos valores.”
No discurso, Calão Mello já comprovou que pode se adequar aos preceitos corintianos. “Vou defender o brasão do Corinthians no polo com toda a minha energia, paixão e comprometimento dentro e fora de campo. O importante é lembrar que somos Corinthians Polo Team, um produto novo. E, neste, eu sou corintiano roxo”, bradou, lembrando que defenderia o distintivo de qualquer time de futebol “com um trabalho tão bacana quanto o do Felipe Rodrigues”.

Nas aulas que teve com Calão Mello, Felipe Rodrigues já captou muito dessa paixão do veterano de 38 anos pelo polo. O atleta corintiano só não entendeu ainda como um torcedor de determinado time de futebol consegue defender um clube rival. “Eu, jogando polo no São Paulo ou no Palmeiras? Não, não, não! Para mim, seria impossível. Não consigo nem imaginar um negócio desses. Respeito as outras instituições, mas não dá para mim”, sorriu.
