Futebol/Campeonato Brasileiro - ( )

Tristão com pontos corridos, Garcia se alegra com degola e Libertadores

Marcos Guedes e Luiz Ricardo Fini São Paulo (SP)

Tristão Garcia passa boa parte de seus dias fazendo contas sobre o Campeonato Brasileiro. Mesmo em uma edição com o título decidido com enorme antecedência, como a atual, não falta trabalho ao matemático, que adora dar explicações sobre as probabilidades de rebaixamento e classificação à Copa Libertadores. Mas ele não aguenta mais a disputa por pontos corridos.

“Não sou fã. Para a matemática, é muito melhor que a disputa seja assim, mas estou dizendo o que eu penso, não o que é melhor para mim como matemático”, afirmou o gaúcho, saudoso da época em que as melhores equipes da competição avançavam para confrontos eliminatórios até a definição do campeão.

Vaidoso, matemático dorme pouco para ser consultado sobre futebol
Amigo de Adilson, Tristão mantém distância de boleiros e esconde time

“Justiça não é critério de futebol, é critério social. Futebol é emoção. No esporte, o eventual faz parte. Esse negócio de fazer justiça no futebol... Só é injusto quando o juiz erra muito. Quando erra mais ou menos, está na conta do negócio. A graça do futebol é essa. O melhor não ganha necessariamente. Esse critério de justiça, para mim, é um pé no saco”, acrescentou.

Reprodução
Tristão Garcia sente saudade do tempo em que o Campeonato Brasileiro era decidido em uma final
E nem a tão citada justiça é vista pelo gaúcho como uma qualidade dos pontos corridos. Ele recordou as várias oportunidades nas últimas temporadas do Nacional em que times foram acusados de tirar o pé para prejudicar rivais e mencionou a maior distância percorrida por equipes do Norte e do Sul como um fator de desequilíbrio.

DESESPERO CARIOCA

As contas de Tristão Garcia apontam um cenário complicado para os cariocas que tanto lhe telefonam. Com o Náutico e a Ponte Preta já rebaixados, o Fluminense tem um risco de 85% de acompanhá-los na Série B, número muito parecido com o do Vasco: 83%. Coritiba (30%), Criciúma (1%) e Inter (1%) completam a lista dos que ainda podem ser degolados.

Na outra ponta da tabela, estão assegurados na próxima Copa Libertadores o campeão Cruzeiro e o Grêmio. Na última rodada do Campeonato Brasileiro, lutam para estar na edição de 2014 da principal competição sul-americana o Atlético-PR (96%), o Goiás (67%), o Botafogo (30%) e o Vitória (7%).

Neste ano, além das restrições ao sistema, Tristão Garcia vê um campeonato “chato” por causa do mau desempenho de boa parte das equipes grandes. Por outro lado, o aproveitamento ruim de clubes como Vasco e Fluminense alegra o matemático no sentido de que ele é muito requisitado para calcular o risco de degola.

“O rebaixamento puxa muito a atenção. O rebaixamento é mais importante do que o título. Não era para ser, mas é. O torcedor sofre tanto que acontece esse clamor”, comentou o gaúcho, que se diverte também com as possibilidades de classificação à Copa Libertadores.

Na entrevista concedida à Gazeta Esportiva, antes da final da Copa do Brasil, ele se empolgou por vários minutos na descrição dos três cenários possíveis. E se exaltou ao apontar o erro do termo G-4, já que só os três primeiros colocados do Brasileiro têm classificação assegurada à principal competição sul-americana. “Libertadores não é G-4, isso é para quem não vê as coisas. Eu sou engenheiro, vou pela segurança. O regulamento fala em três vagas.”

A possível vaga com a quarta posição no Brasileiro – que será aberta em caso de derrota da Ponte Preta na decisão da Copa Sul-americana – e a chance de classificação com o quinto posto – já inexistente por causa da derrota do Atlético-PR para o Flamengo na Copa do Brasil – não eram excluídas das contas. Uma média apontava a porcentagem de cada equipe.

Nelson Perez/Fluminense FC
O desespero contra o rebaixamento, para Tristão, chama mais a atenção do que o título brasileiro
Seja como for, os cálculos do rebaixamento e os da classificação à Libertadores – “algo espetacular para quem entende a disputa” – alegram um matemático, que, de maneira geral, não está feliz com o Campeonato Brasileiro. “Seria legal uma fase final com oito times. Eu não ia fazer conta nenhuma, mas quem gosta de futebol teria uma fase final. Não seria esse campeonato chato”, concluiu, tristão.

Publicidade

Publicidade


Publicidade

Publicidade

Publicidade