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SÍMBOLOS | ![]() |
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Pequim-2008: simbologia para ficar na memória
A humanidade criou signos para obter uma representação tão intensa a ponto de sempre ser lembrado pelas pessoas. Um desses objetos de identificação são os símbolos, que possuem uma força ainda maior na tentativa de evitar o esquecimento de seu referente. E justamente para fazer com que os Jogos Olímpicos de 2008 fiquem na memória dos torcedores para sempre, Pequim decidiu criar uma série de símbolos em referência à competição, da qual será sede. Prova disso são os Fuwa (amigos, em mandarim), mascotes do evento. Pela primeira vez uma Olimpíada será simbolizada por cinco personagens criados especialmente para o evento. A trupe de bichinhos foi projetada pela equipe de desenhistas comandadas pelo artista chinês Han Meilin e apresentada ao mundo em 11 de novembro de 2005, a mil dias da cerimônia de abertura, e traz consigo uma série de significados. A começar por seus nomes. Batizados de Beibei, Jingjing, Huanhuan, Yingying e Nini, os mascotes olímpicos de 2008 aparentam ter apenas nomes de crianças chinesas. Juntos, porém, formam a frase Beijing huanying ni. Em português, ‘Pequim lhe dá boas-vindas’. Cada bichinho representa uma categoria esportiva diferente. Além disso, cada membro do grupinho se relaciona a uma personalidade única e a mensagens da cultura oriental. Não obstante, ainda lembram cinco elementos naturais e remetem aos cinco anéis olímpicos – que por sua vez fazem menção aos cinco continentes da Terra. O Comitê Organizador dos Jogos (Bocog) tem a intenção também de entrar para o grupo de mascotes de mais sucesso na história do evento. Para isso, a um ano de a pira olímpica ser acesa em Pequim, lançou na China um desenho animado de tema olímpico com 100 episódios estrelando os Fuwa. O quinteto das Olimpíadas de 2008, assim, dá o primeiro
passo em busca da equiparação a Misha e Cobi, os dois
mascotes mais famosos da história olímpica, e se distanciam
de Izzy, o maior fiasco.
Primeiro a ser explorado comercialmente, o ursinho Misha representou os Jogos de Moscou-1980. Símbolo da União Soviética e, conseqüentemente, do socialismo – regime político adotado por grande parte dos países do Leste Europeu na segunda metade do século 20 –, Misha superou seus antecessores (o puma vermelho anônimo da Cidade do México-1968, o cachorro dachshund Waldi de Munique-1972 e o castor Amik, de Montreal-1976) e chegou inclusive a ganhar seu próprio desenho animado. Além disso, uma série de comerciais antes e durante os Jogos fazia uso da imagem do ursinho, cujo nome foi inspirado no diminutivo de Mikhail, um dos nomes mais comuns na Rússia. O sucesso de Misha motivou os demais países que receberiam as Olimpíadas a investirem em seus mascotes. Prova disso foi que na edição seguinte, o comitê organizador de Los Angeles-1984 convidou ninguém menos que o grupo Walt Disney, criador dos clássicos Mickey Mouse e Pato Donald, para projetar o representante do evento. O resultado foi a águia Sam, que não fez tanto sucesso se comparada ao ursinho soviético. A popularidade também não foi a marca registrada do casal de tigres Hodori e Hosuni, representantes de Seul-1988. Em 1992, porém, mais um boneco virou febre ao redor do planeta: o sheepdog catalão Cobi, símbolo dos Jogos de Barcelona. Criado pelo designer Javier Mariscal, o cãozinho gerou polêmica na Espanha após seu lançamento, já que a figura rompia com o modelo de seus mascotes antecessores, representados fielmente. Conhecido por ter um tom cubista, Cobi era estilizado – algo que inicialmente não agradou aos espanhóis à primeira vista. Com o tempo, porém, ganhou uma série animada na televisão e passou a ser explorado por diversas empresas multinacionais, como a Coca-Cola e a Danone. Seu nome também não foi escolhido a esmo, pois deriva das iniciais do Comitê Organizador das Olimpíada de Barcelona (Coob). Após 1992, os Estados Unidos mais uma vez não souberam aproveitar a chance de originar um mascote, e os Jogos de Atlanta-1996 foram marcados pelo representante menos popular da história olímpica. Izzy, um ser azul esquisito e disforme, não caiu no gosto dos apreciadores das Olimpíadas. Seu próprio nome já indicava o estranhamento: ‘batizado’Whatizit, significava, em inglês, What is it (‘O que é isso?’, em português). Última olimpíada do milênio, Sydney-2000 foi simbolizada pelo kookaburra (pássaro pescador) Olly, o ornitorrinco Syd e a equidna (animal semelhante a um ouriço, mas da família dos ornitorrincos) Millie. Em Atenas-2004, os mascotes foram os irmãos Athenas e Phevos, cujos formatos lembravam bonecas gregas da antiguidade.
Alusivo também a uma pessoa realizando um passo de dança, o símbolo dá a impressão de estar com os braços abertos, remetendo à receptividade de Pequim aos Jogos Olímpicos e o convite para o mundo compartilhar a cultura chinesa, reforçado pelos Fuwa. O fundo vermelho do emblema também faz menção à bandeira chinesa e, inevitavelmente, ao socialismo – política que vigora no país oriental. Os vários significados do brasão olímpico agradaram ao presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge. De acordo com o mandatário do órgão mundial, a tendência é que o emblema fique facilmente conhecido ao redor do planeta e seja lembrado para sempre. “Este símbolo expressa a tremenda beleza e o fantástico poder da China incorporados à população e à cultura do país. Vejo neste emblema a promessa e o potencial de uma Nova Pequim e de uma ótima edição dos Jogos. À medida que essa insígnia ficar conhecida pelo mundo, tenho certeza de que adquirirá o status de um dos melhores e mais completos símbolos da história olímpica”, elogiou. Frase de efeito: As Olimpíadas de Pequim trazem consigo também um slogan. Escolhida entre mais de 210 mil sugestões, a frase forte dos Jogos de 2008 será “Um mundo, um sonho”, convocando o planeta a se unir em torno do espírito olímpico e, assim, iniciar a construção de um futuro melhor para a humanidade. Estamos prontos: O Comitê Organizador dos Jogos (Bocog) decidiu inclusive lançar uma música tema na finalidade de divulgar a competição. Gravado por mais de cem artistas chineses diferentes, o som “We are ready” (Estamos prontos) foi lançado a exatos 365 dias do início do evento, também como resposta às críticas que Pequim vinha sofrendo por não ter entregue todas as obras para a competição. Disponibilizado para download no site oficial de Pequim-2008 na versão de áudio e clipe, o tema tem seus versos cantados em chinês pelos principais artistas do país. A única parte compreensível para grande parte do mundo são as três palavras cantadas no refrão: We are ready. De acordo com Kan Ke, diretor do departamento de atividades culturais do Bocog, o som foi produzido por mais de 200 pessoas diferentes, o que corrobora para o espírito de determinação que suporta os Jogos Olímpicos: “Eu participei, eu contribuí, eu aproveitei”. | |||||||||||||||||||||||||||||||
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