Voltar para a home Segunda, 01 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
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A TOCHA
Tocha não apaga desavenças e nem passa pelo Brasil
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 (Bocog) tentou criar uma série de inovações para a competição: ergueu estádios, parques aquáticos e ginásios com estilo arquitetônico arrojado, criou cinco mascotes repletos de significados, compôs uma música tema e até mesmo vem tentando ‘dominar o clima’, ao fazer uso de uma tecnologia para estimular uma iminente chuva antes de um evento esportivo começar.

Novidades à parte, os Jogos da China não fugirão da principal marca de tradição das Olimpíadas: a tocha. Tanto que até mesmo o slogan criado para promover o revezamento da chama que simboliza o esporte olímpico não fugiu do básico, ou seja, estimular o espírito olímpico e compartilhar com os demais povos do mundo o desejo de uma medalha.

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 (Bocog) tentou criar uma série de inovações para a competição: ergueu estádios, parques aquáticos e ginásios com estilo arquitetônico arrojado, criou cinco mascotes repletos de significados, compôs uma música tema e até mesmo vem tentando ‘dominar o clima’, ao fazer uso de uma tecnologia para estimular uma iminente chuva antes de um evento esportivo começar.

Novidades à parte, os Jogos da China não fugirão da principal marca de tradição das Olimpíadas: a tocha. Tanto que até mesmo o slogan criado para promover o revezamento da chama que simboliza o esporte olímpico não fugiu do básico, ou seja, estimular o espírito olímpico e compartilhar com os demais povos do mundo o desejo de uma medalha.

A frase de efeito criada pelo Bocog, desta forma, não poderia ser diferente: Light the passion, share the dream (em português, ‘Acenda a paixão, divida o sonho’). E o slogan rapidamente remete ao das Olimpíadas de Pequim em si: ‘Um mundo, um sonho’.

A chama olímpica dos Jogos-2008 foi acesa no Monte Olímpio, na Grécia, da maneira tradicional. Ou seja, com a utilização de espelhos para refletir a luz solar. Mas desde o início da programada viagem pelos cinco continentes, passando por 21 países, enfrentou protestos.

A origem principal da insatisfação foi a maneira como o governo chinês reprimiu os protestos de parte da população tibetana por ocasião do ‘aniversário’ de invasão do território pela China, em 1959. Dezenas de mortos, centenas de feridos revoltaram à comunidade internacional que encampou uma verdadeira campanha pró-Tibete ilustrada, principalmente, pelo slogan “Tibete Livre”.

Quase na mesma proporção grupos críticos da ligação chinesa com o governo repressor em Darfur também lançaram mão da oportunidade para se manifestar. Assim começou uma viagem marcada mais pelos protestos, que pela festa.

Da Grécia, a chama chegou a Pequim pela primeira vez em 31 de março sob forte esquema de segurança. Apenas convidados assistiram o evento na Praça da Paz Celestial. Amalty, no Cazaquistão, foi o destino seguinte, mas os verdadeiros problemas só começaram a surgir em Istambul (Turquia), quando um homem tentou tomar a tocha de seu carregador, mas foi contido.

Em São Petersubrgo (Rússia) a segurança conseguiu garantir uma passagem tranqüila, mas em Londres (Inglaterra) e Paris (França) a situação mudou radicalmente. Na Inglaterra, o ônibus que transportava o artefato foi atacado, pessoas tentaram agarrar a tocha e cerca de dez manifestantes foram detidos. A preocupação em cumprir o trajeto foi tanta, que o esquema de segurança simplesmente tornou impossível ver a tocha durante longo trecho do revezamento.

Paris teve reações ainda mais intensas com o fogo olímpico apagado duas vezes, inúmeras faixas de protesto e interrupções do trajeto perto da Torre Eiffel. A criatividade dos manifestantes aumentou cada vez mais. Em São Francisco, alpinistas escalaram a Golden Gate para divulgar mensagem pró-Tibete.

Na Argentina, etapa sul-americana na viagem, a tocha teve um dos raros revezamentos sem muitos transtornos. O Brasil, que recebeu a chama de Atenas-2004 no Rio de Janeiro e viu mitos como Pelé e Gustavo Kuerten carregarem a tocha, desta vez terá que se contentar com a presença do jogador de vôlei de praia, Emanuel, que conduzirá o fogo na cidade portenha. O campeão olímpico sibstituiu a ginasta Jade Barbosa, que abdicou do direito de participar do revezamento.

Alternando etapas mais ou menos agitadas, a tocha seguiu seu caminho. Em locais como Islamabad (Paquistão), e Kuala Lumpur (Malásia) houve mudanças no trajeto, que ficou restrito apenas a áreas próximas ao principal estádio das cidades. Com receio de transtornos ainda maiores, o Bocog cogitou a retirada de Nova Delhi do roteiro global. Na Índia vivem milhares de exilados tibetanos, inclusive seu líder espiritual Dalai Lama.

Apesar dos vários transtornos, a programação foi mantida, mesmo com o registro de protestos. Havia a esperança de que um outro país fosse incluído no itinerário da tocha: Taiwan. No entanto, o Comitê Olímpico local rejeitou o convite por causa das desavenças históricas entre China e Taiwan.

Outra mudança feita foi no Tibete, que recebe o artefato entre os dias 19 e 21 de junho. A imprensa não pode acompanhar a partida da tocha rumo ao topo do Evereste.

A tocha enfim retornou a solo chinês em 2 de maio, na província de Hong Kong, para iniciar o longo revezamento dentro do país, passando por 31 províncias. Uma peculiaridade do trajeto na China é o fato de que a chama olímpica passará pelo ponto mais alto do planeta: o Monte Everest, no Tibet, entre 19 e 21 de junho. Por se tratar de uma região extremamente fria, o que poderia fazer com que a chama se apagasse, o Centro Meteorológico de Pequim dará total assistência ao Bocog para orientar o melhor momento para que a tocha suba o monte de 8.848m.

A tocha completará sua longa jornada em 8 de agosto, quando chegará ao Estádio Olímpico Nacional e acenderá a pira olímpica, decretando o início dos Jogos de Pequim-2008. No total, serão 130 dias de revezamento e uma distância de 137 mil km percorridos – quase que o dobro dos 86 mil km percorridos em 2004.


CALENDÁRIO
24/03 Acendimento da tocha no Monte Olímpio, na Grécia
25 a 30/03 Revezamento da tocha em solo grego
31/03 Pequim (China)
02/04 Almaty (Cazaquistão)
03/04 Istambul (Turquia)
05/04 São Petersburgo (Rússia)
06/04 Londres (Inglaterra)
07/04 Paris (França)
09/04 São Francisco (EUA)
11/04
Buenos Aires (Argentina)
13/04 Dar es Salaam (Tanzânia)
14/04 Muscat (Omã)
16/04 Islamabad (Paquistão)
17/04 Nova Delhi (Índia)
19/04 Bangcoc (Tailândia)
21/04 Kuala Lumpur (Malásia)
22/04 Jacarta (Indonésia)
24/04 Camberra (Austrália)
26/04 Nagano (Japão)
27/04 Seul (Coréia do Sul)
28/04 Piongueiangue (Coréia do Norte)
29/04 Ho Chi Minh (Vietnã)
02/05 Chegada à China, em Hong Kong
03/05 Início do revezamento em solo chinês
19 a 21/06 Tibet (Monte Everest)
06/08 Chegada a Pequim
08/08 Fim do revezamento e acendimento da pira olímpica


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