| A TOCHA |
| Foto: Divulgação |
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O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 (Bocog) tentou criar uma série de inovações para a competição: ergueu estádios, parques aquáticos e ginásios com estilo arquitetônico arrojado, criou cinco mascotes repletos de significados, compôs uma música tema e até mesmo vem tentando ‘dominar o clima’, ao fazer uso de uma tecnologia para estimular uma iminente chuva antes de um evento esportivo começar.
Novidades à parte, os Jogos da China não fugirão da principal marca de tradição das Olimpíadas: a tocha. Tanto que até mesmo o slogan criado para promover o revezamento da chama que simboliza o esporte olímpico não fugiu do básico, ou seja, estimular o espírito olímpico e compartilhar com os demais povos do mundo o desejo de uma medalha.
O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 (Bocog) tentou criar uma série de inovações para a competição: ergueu estádios, parques aquáticos e ginásios com estilo arquitetônico arrojado, criou cinco mascotes repletos de significados, compôs uma música tema e até mesmo vem tentando ‘dominar o clima’, ao fazer uso de uma tecnologia para estimular uma iminente chuva antes de um evento esportivo começar.
Novidades à parte, os Jogos da China não fugirão da principal marca de tradição das Olimpíadas: a tocha. Tanto que até mesmo o slogan criado para promover o revezamento da chama que simboliza o esporte olímpico não fugiu do básico, ou seja, estimular o espírito olímpico e compartilhar com os demais povos do mundo o desejo de uma medalha.
A frase de efeito criada pelo Bocog, desta forma, não poderia ser diferente: Light the passion, share the dream (em português, ‘Acenda a paixão, divida o sonho’). E o slogan rapidamente remete ao das Olimpíadas de Pequim em si: ‘Um mundo, um sonho’.
A chama olímpica dos Jogos-2008 foi acesa no Monte Olímpio, na Grécia, da maneira tradicional. Ou seja, com a utilização de espelhos para refletir a luz solar. Mas desde o início da programada viagem pelos cinco continentes, passando por 21 países, enfrentou protestos.
A origem principal da insatisfação foi a maneira como o governo chinês reprimiu os protestos de parte da população tibetana por ocasião do ‘aniversário’ de invasão do território pela China, em 1959. Dezenas de mortos, centenas de feridos revoltaram à comunidade internacional que encampou uma verdadeira campanha pró-Tibete ilustrada, principalmente, pelo slogan “Tibete Livre”.
Quase na mesma proporção grupos críticos da ligação chinesa com o governo repressor em Darfur também lançaram mão da oportunidade para se manifestar. Assim começou uma viagem marcada mais pelos protestos, que pela festa.
Da Grécia, a chama chegou a Pequim pela primeira vez em 31 de março sob forte esquema de segurança. Apenas convidados assistiram o evento na Praça da Paz Celestial. Amalty, no Cazaquistão, foi o destino seguinte, mas os verdadeiros problemas só começaram a surgir em Istambul (Turquia), quando um homem tentou tomar a tocha de seu carregador, mas foi contido.
Em São Petersubrgo (Rússia) a segurança conseguiu garantir uma passagem tranqüila, mas em Londres (Inglaterra) e Paris (França) a situação mudou radicalmente. Na Inglaterra, o ônibus que transportava o artefato foi atacado, pessoas tentaram agarrar a tocha e cerca de dez manifestantes foram detidos. A preocupação em cumprir o trajeto foi tanta, que o esquema de segurança simplesmente tornou impossível ver a tocha durante longo trecho do revezamento.
Paris teve reações ainda mais intensas com o fogo olímpico apagado duas vezes, inúmeras faixas de protesto e interrupções do trajeto perto da Torre Eiffel. A criatividade dos manifestantes aumentou cada vez mais. Em São Francisco, alpinistas escalaram a Golden Gate para divulgar mensagem pró-Tibete.
Na Argentina, etapa sul-americana na viagem, a tocha teve um dos raros revezamentos sem muitos transtornos. O Brasil, que recebeu a chama de Atenas-2004 no Rio de Janeiro e viu mitos como Pelé e Gustavo Kuerten carregarem a tocha, desta vez terá que se contentar com a presença do jogador de vôlei de praia, Emanuel, que conduzirá o fogo na cidade portenha. O campeão olímpico sibstituiu a ginasta Jade Barbosa, que abdicou do direito de participar do revezamento.
Alternando etapas mais ou menos agitadas, a tocha seguiu seu caminho. Em locais como Islamabad (Paquistão), e Kuala Lumpur (Malásia) houve mudanças no trajeto, que ficou restrito apenas a áreas próximas ao principal estádio das cidades. Com receio de transtornos ainda maiores, o Bocog cogitou a retirada de Nova Delhi do roteiro global. Na Índia vivem milhares de exilados tibetanos, inclusive seu líder espiritual Dalai Lama.
Apesar dos vários transtornos, a programação foi mantida, mesmo com o registro de protestos. Havia a esperança de que um outro país fosse incluído no itinerário da tocha: Taiwan. No entanto, o Comitê Olímpico local rejeitou o convite por causa das desavenças históricas entre China e Taiwan.
Outra mudança feita foi no Tibete, que recebe o artefato entre os dias 19 e 21 de junho. A imprensa não pode acompanhar a partida da tocha rumo ao topo do Evereste.
A tocha enfim retornou a solo chinês em 2 de maio, na província de Hong Kong, para iniciar o longo revezamento dentro do país, passando por 31 províncias. Uma peculiaridade do trajeto na China é o fato de que a chama olímpica passará pelo ponto mais alto do planeta: o Monte Everest, no Tibet, entre 19 e 21 de junho. Por se tratar de uma região extremamente fria, o que poderia fazer com que a chama se apagasse, o Centro Meteorológico de Pequim dará total assistência ao Bocog para orientar o melhor momento para que a tocha suba o monte de 8.848m.
A tocha completará sua longa jornada em 8 de agosto, quando chegará ao Estádio Olímpico Nacional e acenderá a pira olímpica, decretando o início dos Jogos de Pequim-2008. No total, serão 130 dias de revezamento e uma distância de 137 mil km percorridos – quase que o dobro dos 86 mil km percorridos em 2004.
| CALENDÁRIO | |
| 24/03 | Acendimento da tocha no Monte Olímpio, na Grécia |
| 25 a 30/03 | Revezamento da tocha em solo grego |
| 31/03 | Pequim (China) |
| 02/04 | Almaty (Cazaquistão) |
| 03/04 | Istambul (Turquia) |
| 05/04 | São Petersburgo (Rússia) |
| 06/04 | Londres (Inglaterra) |
| 07/04 | Paris (França) |
| 09/04 | São Francisco (EUA) |
| 11/04 | Buenos Aires (Argentina) |
| 13/04 | Dar es Salaam (Tanzânia) |
| 14/04 | Muscat (Omã) |
| 16/04 | Islamabad (Paquistão) |
| 17/04 | Nova Delhi (Índia) |
| 19/04 | Bangcoc (Tailândia) |
| 21/04 | Kuala Lumpur (Malásia) |
| 22/04 | Jacarta (Indonésia) |
| 24/04 | Camberra (Austrália) |
| 26/04 | Nagano (Japão) |
| 27/04 | Seul (Coréia do Sul) |
| 28/04 | Piongueiangue (Coréia do Norte) |
| 29/04 | Ho Chi Minh (Vietnã) |
| 02/05 | Chegada à China, em Hong Kong |
| 03/05 | Início do revezamento em solo chinês |
| 19 a 21/06 | Tibet (Monte Everest) |
| 06/08 | Chegada a Pequim |
| 08/08 | Fim do revezamento e acendimento da pira olímpica |
|