Manter a base: receita do Verdão para acabar com outra fila
Por Paulo Amaral
Depois de colocar fim a uma agonia de quase 12 anos
sem títulos estaduais com a incontestável
vitória por 5 a 0 sobre a Ponte Preta na última
partida do Paulistão, o Palmeiras começa
sua caminhada no Campeonato Brasileiro neste domingo,
em Curitiba, diante do Coritiba, para acabar com mais
uma fila.
A última vez em que o Verdão conquistou
um Campeonato Brasileiro foi em 1994, sob o comando do
próprio Wanderley Luxemburgo, recordista em títulos
da competição (cinco). Para também
chegar ao penta, o segredo do time de Palestra Itália,
campeão ainda nos anos de 1972, 1973 e 1993, é um
só na opinião dos jogadores e do vitorioso
treinador: o conjunto.
Ciente do risco de perder companheiros importantes como
o meia Valdívia, o zagueiro Henrique e o goleiro
Diego Cavalieri, na mira do futebol europeu, o experiente
Denílson fez o alerta. “O mais importante é cobrir
as eventuais saídas com jogadores do mesmo nível
técnico, pois o Campeonato Brasileiro é mais
competitivo e difícil do que o Paulista. Precisamos
ter um grupo à altura da nossa responsabilidade
de campeão”, opina.
O goleiro Marcos, novamente sinônimo de segurança
embaixo das traves do Verdão, concorda. “O
Palmeiras está com um grupo competitivo e o mais
importante é a base ser mantida. Depois de muito
tempo, teremos condições de brigar de igual
para igual com as outras equipes pelo título”,
aposta.
Especialista em competições por pontos
corridos, o técnico Wanderley Luxemburgo é pragmático
ao falar sobre o que espera do próximo Campeonato
Brasileiro. “Por tudo o que está acontecendo,
esse Campeonato Brasileiro parece que vai ser um dos
melhores dos pontos corridos. Há muitas equipes
bem preparadas e que começarão a competição
em condições de ganhar o título.
O objetivo é colocar o Palmeiras na próxima
Libertadores, mas somos candidatos ao título e
vamos brigar pela conquista”.
Assim como fizeram os dois pentacampeões, Luxa
também mostra confiança no grupo para colocar
mais uma importante conquista no currículo. “A
base será mantida e haverá 20 ou 30% de
mudanças. É importante ter elenco forte
para o Brasileiro e a Sul-americana. Já contratamos
quatro reforços e temos um planejamento pronto
para o ano que vem”, comenta, confirmando as chegadas
dos volantes Jumar (ex-Paraná) e Sandro Silva
(ex-Mirassol), além dos laterais Fabinho Capixaba
(ex-Mirassol) e Jéfferson (ex-Guaratinguetá e
São Caetano). Sobre o risco de perder Valdívia
e outras estrelas, Luxa é claro: “Não
me preocupo com isso. Claro que queria a permanência
deles, mas, se aparecer uma proposta boa, ele vai sair.
Não tem jeito”, conclui.
Técnico: Wanderley
Luxemburgo
NOME: Wanderley Luxemburgo da Silva NASCIMENTO: 10
de maio de 1952, em Nova Iguaçu (RJ)
CLUBES: Campo
Grande-RJ (1983), Rio Branco-ES (1983/84), Friburguense-RJ
(1984), Al Ittihad Jeddah-ARA (1984/85), Democrata-MG
(1985/86), América-RJ
(1986/87), Bragantino-SP (1989/90), Guarani (1991),
Flamengo (1991/92 e 1995) Ponte Preta-SP (1992/1993),
Palmeiras (1993/94, 1995/96, 2002 e desde janeiro de
2008), Paraná Clube (1997), Santos (1997/98,
2004, e 2005 a 2007), Corinthians (1998/99 e 2001/02),
Seleção Brasileira (1999/00), Cruzeiro
(2002 a 2004), Real Madrid-ESP (2005)
TÍTULOS: Copa América
(1999), Campeonato Brasileiro (1993/94, 1998, 2003/04),
Copa do Brasil (2003), Campeonato Paulista (1990, 1993/94,
1996, 2001, 2006/07/08), Rio-São Paulo (1993
e 1997), Campeonato Mineiro (2003) e Campeonato Capixaba
(1983)
Destaque: Alex
Mineiro
Nome: Alexander Pereira Cardoso Nascimento: 15
de março
de 1975, em Belo Horizonte (MG) Altura: 1,75m Peso: 71
kg
Clubes: América-MG (1995/96),
Cruzeiro (1997 e 2000/01), Vitória-BA (1998),
Bahia (1999/00), Atlético-PR (2001 a 2003
e 2007), Tigres-MEX (2003), Atlético-MG (2004),
Kashima Antlers-JAP (2005/06), Palmeiras (desde 2008).
Títulos: Libertadores da
América (1997), Campeonato Mineiro (1997),
Campeonato Paranaense (2001), Campeonato Brasileiro
(2001), Supercampeonato Paranaense (2002) e Campeonato
Paulista (2008)
Revelado pelo América-MG, o atacante Alex
Mineiro foi ganhar projeção bem longe
de Minas Gerais, onde também defendeu os rivais
Cruzeiro e Atlético-MG. Foi com a camisa de
outro Atlético, o paranaense, que o jogador,
também com passagens pelos dois grandes clubes
da Bahia, finalmente mostrou seu faro de artilheiro.
Ao lado de Kléber, hoje conhecido como Kléber
Pereira e dono da camisa nove do Santos, Alex Mineiro
formou o ataque que ajudou o Furacão a conquistar
o inédito título de campeão
brasileiro em 2001, marcando 17 gols, mesmo número
de seu companheiro de linha de frente.
Sondado pelo Palmeiras desde 2006, o jogador finalmente
chegou ao Palestra Itália no início
do ano com uma missão: acabar com a ‘maldição’ da
camisa nove, órfã desde a venda de
Vágner Love para o CSKA, da Rússia,
em 2004. No Paulistão, provou que a insistência
da diretoria valeu a pena: marcou 15 gols e foi o
artilheiro da competição, arrematando
ainda um prêmio de R$ 300 mil. No Brasileiro,
espera repetir a dose: “Será uma motivação
extra. Depois de ser artilheiro do Paulista, também
quero a artilharia do Brasileiro, que é a
competição mais difícil do país”,
avisa.