Com
poucos investimentos, Santos aposta nos “Adultos
da Vila” para ser tri Do correspondente Helder Júnior,
em Santos (SP)
O técnico Emerson Leão voltou ao Santos disposto a reavivar a aposta nos apelidados Meninos da Vila, com a qual conduziu o clube ao primeiro título do Campeonato Brasileiro, em 2002. Em um dos constantes ataques ao antecessor e desafeto Wanderley Luxemburgo (campeão nacional pelo Peixe em 2004), ele chegou a dizer que, sob seu comando, estavam destrancados os portões que separavam o elenco juvenil do profissional. Bastou um mau início no Campeonato Paulista, contudo, para promessas como Tiago Luís, Alemão, Paulo Henrique, Alex e Carlinhos perderem espaço na equipe. Apenas Wesley superou a crise. Porém, os principais trunfos do Peixe neste momento são os veteranos.
A experiência do time do Santos começa pelo gol, defendido pelo “trintão” Fábio Costa. À sua frente, está a proteção de zagueiros como Fabão, pouco mais velho, e Betão, que, aos 25 anos, já enfrentou diversas crises no Corinthians e, recentemente, a desconfiança dos santistas. Até mesmo o sempre questionado volante Marcinho Guerreiro conseguiu se firmar sob o comando de Leão. Rodrigo Souto, seu parceiro de meio-campo, é um dos mais jovens defensores da equipe (24 anos), porém a calvície e o futebol que despertou o interesse de arqui-rivais do Peixe no início de 2008 fizeram com que ele parecesse mais um atleta calejado.
Apesar de o novato Wesley jogar no ataque do Santos, o setor também conta com veteranos. O lateral-esquerdo Kléber, mais badalado jogador do elenco no ano passado, é um dos responsáveis por municiar o trio de frente alvinegro. O outro é o meia Maurício Molina, que tem passagens por nove clubes de sete países diferentes no currículo. Com 28 anos, o colombiano foi o único dos quatro estrangeiros contratados pelo Peixe (o argentino Mariano Trípodi e o equatoriano Michael Jackson Quiñonez seguem no elenco, enquanto o chileno Sebastián Pinto já se demitiu) que se destacou. O goleador Kléber Pereira e o recém-chegado Lima completam a escalação preferida de Leão.
Lima, aliás, é o único reforço do Santos para o Brasileirão. Pessimista, Leão desconfia da competência da diretoria de conseguir concretizar novas contratações mesmo após a estréia contra o Flamengo, no domingo de 11 de maio, com os portões do Maracanã fechados. “Não vejo nenhuma possibilidade de isso acontecer. É uma notícia desagradável, mas é a verdade”, lamenta o treinador. Obrigado a improvisar Betão, Adriano ou Adoniran na lateral direita por falta de um atleta da posição, ele chega a reconhecer a dificuldade de seus comandados conquistarem o título nacional. “O Brasileiro é um campeonato logo, que, com raríssimas exceções, é vencido por aquele time que tem um elenco com maiores investimentos, mais farto.”
Farto, o elenco do Santos é. Com 36 jogadores à disposição no início da semana que antecede o início do Brasileirão, em meio a ameaças de dispensas, o técnico preferia contar com um grupo mais enxuto e capacitado. A verdade é que boa parte desses atletas são oriundos das categorias de base; entretanto, diferentemente da geração que consagrou Diego, Robinho e o próprio Leão em 2002, não passam de coadjuvantes em 2008. Para contrariar a lógica e, mesmo com poucos recursos, fazer valer o coro de “vamos ser tri, Santos”, entoado pela torcida também na Copa Libertadores, a aposta do time é mesmo nos “Adultos da Vila”.
Técnico: Emerson Leão
Nascimento:
11/07/1949, em Ribeirão Preto (SP)
Clubes: Sport (1987 e 2000), Coritiba (1988-1989),
Palmeiras (1989-1990 e 2005-2006), Portuguesa (1990-1992),
São José (1991-1992), XV de Piracicaba
(1991-1992), Shimizu S-Pulse - Japão - (1992-1994),
Juventude (1995-1996), Atlético-PR (1997-1998),
Verdy Kawasaki - Japão - (1996-1997), Atlético-MG
(1997 e 2007), Santos (1998-1999 e 2002-2004), Cruzeiro
(2004), São Paulo (2004-2005), Vissel Kobe -
Japão (2005), São Caetano (2006) e Corinthians
(2006-2007)
Títulos: Campeonato Brasileiro de 1987- módulo
amarelo (Sport), Copa Kangawa de 1992 (Verdy Kawasaki),
Copa do Imperador de 1996 (Verdy Kawasaki), Copa Conmebol
de 1997 (Atlético-MG), Copa Conmebol de 1998
(Santos), Campeonato Pernambucano de 2000 (Sport),
Campeonato Brasileiro de 2002 (Santos) e Campeonato
Paulista de 2005 (São Paulo)
Destaque: Kléber
Pereira
Nome: Kléber
João
Boas Pereira Nascimento: 13/08/1975,
em Peri-Mirim (MA) Altura: 1,80m Peso:
80 kg
Clubes: Cruzeiro (1995), Moto Clube (1995-1996/1998-1999),
Sion – Suíça (1996), Náutico-PE
(1997), Atlético-PR (1999-2002), Tigres – México
(2003-2004), Vera Cruz – México (2004),
América – México (2005-2006)
e Necaxa - México (2006-2007)
Títulos: Campeonato Paranaense – 2000,
2001 e 2002 (Atlético-PR) e Campeonato Brasileiro
de 2001 (Atlético-PR)
Próximo de completar 33 anos, Kléber
Pereira é o mais velho jogador do elenco do
Santos. O centroavante começou a carreira no
Cruzeiro em 1995 e, depois, passou por Moto Clube,
Sion, da Suíça, e Náutico, antes
de chegar ao Atlético-PR. No Furacão,
ele ganhou projeção nacional com o título
do Brasileirão de 2001, que lhe valeu uma transferência
para o futebol mexicano.