Sob desconfiança, Tricolor tenta tri inédito na história do Brasileirão Por Marcelo Belpiede
Para muitos analistas, a força do São Paulo já não é a mesma de anos anteriores, mas a equipe do Morumbi sempre é vista com respeito no início do Campeonato Brasileiro. Neste ano, o Tricolor, que tem o melhor desempenho nas cinco edições dos pontos corridos, ganha uma motivação extra com a possibilidade de um feito inédito em toda a história da competição: conquistar a taça por três anos consecutivos, chegando ao sexto caneco.
A principal missão são-paulina ao defender os títulos de 2006 e 2007 é arrumar um substituto para o atacante Adriano, que atua no time somente até o dia 10 de julho (data que lhe possibilitará jogar dez rodada) e, em seguida, retorna à Internazionale. O Imperador foi o principal artilheiro do Tricolor no Campeonato Paulista, com 11 gols.
Outros jogadores correm o risco de desfalcar o São Paulo na seqüência do Campeonato Brasileiro. Contratado por empréstimo junto ao Lyon, o volante Fábio Santos também assinou contrato somente até julho. Já o meio-campista Hernanes chama a atenção de clubes importantes como Internazionale e Milan.
Com um elenco reduzido, o São Paulo pode encontrar grandes dificuldades durante o mês de agosto. Entre os dias 6 e 23 será realizado o torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Pequim. Três atletas do Tricolor têm idade para representar a seleção brasileira sub-23: o zagueiro Alex Silva, o volante Hernanes e o meia-atacante Éder Luís.
Em compensação, o São Paulo leva uma vantagem pela continuidade do trabalho do técnico Muricy Ramalho, no clube desde o início de 2006. Com contrato renovado até o final de 2009, o comandante bicampeão brasileiro tem grande conhecimento do seu grupo, inclusive de jogadores promissores das categorias de base, como o zagueiro Aislan, o lateral-esquerdo Alex Cazumba e o meia Sérgio Mota.
A principal novidade do São Paulo para o Campeonato Brasileiro é aquisição do lateral-direito Jancarlos, que também foi inscrito para a segunda fase da Libertadores da América. O lateral-direito Éder e o atacante Éder Luís também ficam à disposição integralmente, já que não puderam jogar o Campeonato Paulista e foram utilizados somente na Libertadores. A direção ainda promete alguma surpresa durante a temporada, com a chance de contratação de um zagueiro e um meia de armação.
Técnico:
Muricy Ramalho
NOME: Muricy Ramalho NASCIMENTO: 30/11/1955, em São Paulo (SP)
CLUBES: Puebla-MEX (1993), São Paulo (1994-1996
e desde 2006), Guarani (1997), Chuhua-CHN (1998), Ituano
(1998), Botafogo-SP (1999), Santa Cruz (2000), Náutico
(2001-2002), Figueirense (2002), Internacional (2003
e 2004- 2005) e São Caetano (2004).
TÍTULOS: Copa Conmebol (1994), Copa
da China (1998), Campeonato Pernambucano (2001 e 2002),
Campeonato Gaúcho (2003), Campeonato Paulista
(2004) e Campeonato Brasileiro (2006 e 2007).
Destaque: Jorge Wagner
NOME:
Jorge Wagner Góes Conceição NASCIMENTO: 17/11/1978, em Feira de Santana (BA) ALTURA: 1,78m PESO: 69 kg
CLUBES: Bahia (1997-2000), Cruzeiro (2001-2002),
Corinthians (2003), Lokomotiv-RUS (2003-2004), Internacional
(2005-2006), Betis-ESP (2006), São Paulo (desde
2007).
TÍTULOS: Campeonato Baiano (1998), Copa Sul-Minas
(2001 e 2002), Campeonato Mineiro (2001 e 2002),
Campeonato Paulista (2003), Campeonato Russo (2004),
Campeonato Gaúcho (2005), Copa Libertadores
(2006) e Campeonato Brasileiro (2007).
Jorge Wagner está longe de ser
um dos meio-campistas mais habilidosos do país,
mas sua eficiência é impressionante.
Especialista nas bolas paradas e cruzamentos, o jogador é o
principal assistente do São Paulo e peça-chave
no esquema de Muricy Ramalho, que pode utilizá-lo
também como ala pelo lado esquerdo.
A experiência também é um requisito
favorável ao camisa sete do bicampeão
brasileiro. Jorge Wagner, de 29 anos, já passou
por clubes importantes do Brasil – como Corinthians,
Cruzeiro e Internacional – e também
adquiriu bagagem no exterior, na Rússia e
Espanha.
O torcedor são-paulino pode se apegar a um
detalhe interessante da carreira de Jorge Wagner
para renovar as esperanças de uma nova conquista.
Nas últimas sete temporadas, o jogador sempre
comemorou, pelo menos, um título por ano.