Eleita favorita por si mesma, Raposa sonha em retorno à Libertadores Por Felipe Held, especial para a GE.Net
Dono do troféu da edição 2003 do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro entra para a disputa do Nacional deste ano vivendo um momento peculiar emocionalmente: com o título do Mineiro em mãos, mas com a recente eliminação nas oitavas-de-final da Copa Libertadores da América para o Boca Juniors.
Por conta da saída da competição continental, o time celeste foi obrigado a mudar o foco para o início do Brasileirão. Se antes a Libertadores era a prioridade do clube, agora o certame nacional é tudo o que resta na temporada. E, embora a equipe não seja abastada de estrelas como em 2003, a Raposa entra como favorita. Pelo menos de acordo com o técnico Adilson Batista.
“O Cruzeiro está entre os candidatos. É uma equipe respeitada, bem estruturada e que fez bons jogos no ano, mas infelizmente foi eliminada da Libertadores”, comentou o treinador, que em 2007 comandou o japonês Jubilo Iwata e chegou ao clube mineiro no início desta temporada para substituir Dorival Júnior.
“Agora, precisamos cobrar algumas coisas que achamos importantes e acertar alguns erros cometidos no Mineiro e outros aspectos táticos, além de aprimorar as coisas boas”, prosseguiu, antes de ser apoiado pelo meia Marcinho. “Nossa equipe vai entrar no Brasileiro para ser campeã e para conquistar uma das vagas da Libertadores”, antecipou o jogador ex-Palmeiras, apoiado pelo goleiro Fábio.
A base do Cruzeiro deste ano é praticamente igual à que terminou na quinta colocação do Brasileirão-2007 sob o comando de Dorival e conseguiu na última rodada a vaga para a Libertadores – ironicamente, graças à vitória do arqui-rival Atlético-MG por 3 a 1 sobre o Palmeiras, no Palestra Itália.
As principais alterações em relação ao elenco titular de 2007 foram as entradas do lateral-esquerdo Jadílson (contratado junto ao São Paulo), do zagueiro equatoriano Espinoza (ex-Vitesse, da Holanda) e dos ex-comandados de Adilson no japonês Jubilo Iwata, o lateral-direito Marquinhos Paraná e o volante Fabrício.
Caso não haja contusões mais sérias ou consiga a proeza de evitar a saída de
alguns de seus principais jogadores rumo ao futebol europeu, o Cruzeiro deverá ter
como titular a base formada por Fábio; Marquinhos Paraná, Thiago Heleno, Espinoza
e Jadílson; Fabrício, Charles, Ramires e Wagner; Guilherme e Marcelo Moreno.
Também chegaram à Toca o goleiro Andrey (que defendia o Steaua Bucareste, da Romênia), o lateral-direito Apodi (Vitória), o volante Henrique (Jubilo Iwata) e o centroavante Marcelo (que em 2007 defendeu São Paulo e Grêmio). Os quatro atletas, contudo, compõem o banco de reservas da equipe mineira.
A estréia do Cruzeiro na edição 2008 do Brasileiro será realizada às 18h10 (de Brasília) de 11 de maio, no Barradão contra o Vitória. O clube azul fará a sua primeira aparição diante de seus torcedores na competição no sábado seguinte, dia 18, contra o Botafogo no Mineirão, também às 18h10. O clássico belo-horizontino contra o Atlético-MG, por sua vez, está marcado para as 16 horas de 13 de julho.
Técnico:
Adilson Batista
NOME: Adilson Dias Batista NASCIMENTO: 16/03/1968, em Adrianópolis (PR)
CLUBES: Mogi Mirim-SP (2001), América-RN (2002), Avaí-SC (2002), Paraná Clube-PR, Grêmio-RS (2003-2004), Paysandu-PA (2004), Sport-PE (2005), Figueirense-SC (2005-2006), Jubilo Iwata/JAP (2006-2007) e Cruzeiro-MG (2008)
TÍTULOS: Campeonato Potiguar-2002, Campeonato Catarinense-2006 e Campeonato Mineiro-2008
Destaque: Ramires
NOME: Ramires Santos do Nascimento NASCIMENTO: 24/03/1987, no Rio de Janeiro (RJ) ALTURA: 1,79m PESO: 65 kg
CLUBES: Joinville-SC (2005-2007) e Cruzeiro-MG (desde 2007)
TÍTULO: Campeonato Mineiro-2008
Contratado em março de 2007 para reforçar o elenco cruzeirense para a disputa do Campeonato Brasileiro, o jovem Ramires Santos do Nascimento, então com 19 anos, era um desconhecido da torcida celeste. Emprestado pelo Joinville, o carioca disputaria uma vaga entre os titulares com os já conhecidos Ricardinho e Renan, além de Léo Silva, Daniel e Charles.
Ramires, no entanto, conseguiu mostrar um bom trabalho nos treinamentos e ganhou seu espaço entre os titulares de Dorival Júnior na estréia do Brasileirão de 2007, no empate por 2 a 2 com o Fluminense. O volante só voltou a entrar em campo com a camisa da Raposa três rodadas depois, para pegar o Palmeiras no Parque Antártica, e não decepcionou: marcou o segundo gol do triunfo por 3 a 1 sobre o Alviverde, foi um dos destaques da primeira vitória cruzeirense no Nacional e firmou lugar entre os 11 iniciais.
Além da eficiente marcação, o Ramires se destacou pelo poderio ofensivo, colaborando na armação das jogadas e também concluindo as jogadas. O jovem carioca terminou a sua participação no torneio tendo disputado 32 das 38 partidas do Cruzeiro no Nacional e com três gols marcados. De quebra, o então desconhecido volante do Joinville foi premiado com a convocação pelo técnico Dunga para defender a seleção olímpica em amistoso contra as estrelas do Brasileirão.
Mas foi na temporada 2008 que Ramires firmou de vez sua condição de força-motriz cruzeirense. Apesar de volante, ele aparece como vice-artilheiro da Copa Libertadores da América com cinco gols marcados (três a menos do que o principal goleador, o atacante e companheiro de clube Marcelo Moreno). Na campanha vitoriosa no Campeonato Mineiro, o carioca balançou as redes em duas oportunidades – em uma delas abriu o caminho para a goleada por 5 a 0 sobre o arqui-rival Atlético-MG no primeiro jogo da final.