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09/05/2008
Montagem sobre fotos Gazeta Press

Com Sócrates, alvinegro fez bonito na ‘Segundona’ de 1982
Por Emanuel Colombari, especial para a GE.NET

Foto acervo /Gazeta Press
Sócrates comandou o Timão na Taça de Prata
O Corinthians, de presidente novo, vem de campanha discreta no Campeonato Paulista e se prepara para disputar a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Pode parecer o retrospecto recente do time de Mano Menezes, mas trata-se na verdade da primeira incursão corintiana por uma divisão inferior do futebol nacional – no caso, a Taça de Prata de 1982.

A competição daquele ano, na verdade, não foi exatamente uma ‘segunda divisão’ da Taça de Ouro, mas uma espécie de módulo inferior que classificou os corintianos para as fases decisivas do Brasileiro. A opção foi criada em 1980, quando Giulite Coutinho assumiu a presidência da CBF com a promessa de enxugar a principal competição do calendário, que havia sido disputada por nada menos que 94 clubes no ano anterior. Assim, a década de 80 começou com uma Taça de Ouro de ‘apenas’ quatro dezenas de concorrentes.

A distribuição de vagas na elite era decidida na época pela campanha dos times nos campeonato estaduais – assim, mesmo quem fazia boas participações no Campeonato Brasileiro até 1979 ou na Taça de Ouro a partir de 1980 precisava confirmar a boa campanha em seu estado. De fato, em 1981, o Corinthians ficou no 26º lugar da Taça de Ouro, que contou com 44 clubes. Porém, o time não embalou no Campeonato Paulista do mesmo ano, no qual terminou fora das seis primeiras colocações.

Para a Taça de Ouro de 1982, classificaram-se São Paulo, Santos, São José, XV de Jaú, Ponte Preta e Inter de Limeira. O Corinthians, comandado pelo técnico Oswaldo Brandão, garantiu-se na Taça de Prata, ao lado dos também paulistas Juventus, Palmeiras, Portuguesa e Botafogo. No grupo do Timão, estavam América-RJ, Catuense-BA, Colatina-ES, Guará-DF e Leônico-DF. Para tentar melhor sorte na Série B da época, o Timão contratou ainda no final de 1981 o técnico Mário Travaglini, que comandava um time-base formado por César; Zé Maria, Gomes, Wagner e Wladimir; Biro-Biro, Sócrates e Zenon; Eduardo, Mário (Casagrande) e Joãozinho.

No mesmo ano, Waldemar Pires assumiu a presidência no lugar do folclórico Vicente Matheus (que voltaria à função entre 1987 e 1991). Com um elenco diferenciado e a nova filosofia ‘democrática’ no clube, os resultados não tardaram a aparecer em campo. Em casa, vitória sobre América (2 a 0) e empate com o Colatina (1 a 1); mais tarde, novo empate na Bahia com a Catuense (0 a 0) e goleada em São Paulo sobre o Guará (5 a 1). Depois, três vitórias consecutivas: 3 a 1 no Leônico, 4 a 2 no Fortaleza e 2 a 1 na Campinense – as duas últimas, já pela segunda fase da Taça de Prata.

Por conta do regulamento, os comandados de Mário Travaglini entraram na segunda fase também da Taça de Ouro, e não decepcionaram. Apesar de estar na mesma chave de Flamengo, Atlético-MG e Internacional, o Corinthians garantiu o primeiro lugar com quatro vitórias, um empate e uma derrota. Na terceira fase, eliminou o Bahia com um empate em 1 a 1 e com uma vitória por 5 a 2. Na quarta, superou o Bangu com uma vitória por 1 a 0 e uma derrota por 2 a 1, classificando-se nos critérios de desempate para as semifinais. Foi somente aí que o Corinthians parou, batido pelo Grêmio de Ênio Andrade por 2 a 1 e por 3 a 1.

“A rigor, a gente não gostaria que isso tivesse ocorrido. A experiência na época serviu para armar o time daquele bicampeonato de 1982 e 1983. Foi todo armado naquelas viagens para a Bahia, por exemplo”, explicou o próprio Mário Travaglini. “Foi um trabalho de paciência, tranqüilo, de armar com os jogadores de lá para a Democracia Corintiana”, completou o treinador.

Embalado com a boa campanha nas Taças de Prata e de Ouro, o Corinthians de Mário Travaglini de fato convenceu no Campeonato Paulista de 1982 (então disputado no segundo semestre). O time da Democracia foi campeão com antecipação do primeiro turno, e ficou com o vice no segundo. Nas finais, venceu o São Paulo por 1 a 0 e 3 a 1, conquistando o título que repetiu no ano de 1983 sobre o mesmo rival. O famoso bicampeonato de Sócrates e companhia garantiu o Timão na Taça de Ouro em 1984 e 1985. Em 1986, a idéia de Giulite Coutinho foi finalmente abandonada e o Brasileirão, mais uma vez, mudou de fórmula.

Mesmo assim, a experiência serviu para que Travaglini projetasse com bons olhos o trabalho que seu sucessor Mano Menezes terá que fazer para 2008. “Acho que hoje, no futebol atual, não tem conselho para dar. Ele tem mais que disputar o campeonato para depois subir. E isso ele já vem fazendo”, aponta o ex-treinador. “O caminho está certo, se programando em etapas. E isso não termina quando o campeonato começa”, alerta.

De técnico para técnico - Bem-sucedido em 1982, Travaglini confia em Mano Menezes, escolhido pela diretoria para a missão de reconduzir o time de volta à Primeira Divisão. “Desejo e torço que ele seja muito feliz”, afirmou o ex-treinador. “Ele dignifica o trabalho dos treinadores. É muito competente, muito consciente. Tenho certeza que ele vai ter muita condição de tirar o time dessa situação”, acrescenta.

Naquela campanha, o time jogou contra adversários de Ceará, Distrito Federal, Bahia, Paraíba, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Por isso, Travaglini não acredita que as distâncias que o Corinthians irá percorrer na Série B possam atrapalhar um possível retorno do time à elite nacional.

“Não é o fato de viajar. Há grandes clubes em São Paulo na segunda divisão. O Corinthians vai ter esse tempo de viagens para trabalhar”, afirma. “Ele conseguiu subir também com o Grêmio (em 2005), então não acho que vá ser problema.”

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