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26/05/2008
Foto: AFP

Melo e Sá: o ponto forte do tênis brasileiro pós-Guga
Por Felipe Held, especial para a GE.Net

Foto: Fernando Pilatos
Foto: AFP
Sá e Melo se destacaram juntos a partir de 2007, ano em que venceram partida que demorou quatro dias

Sem representante algum na chave principal de simples em Wimbledon, o tênis brasileiro estava praticamente esquecido na última semana de junho e a primeira de julho de 2007. Com pouquíssima representatividade no piso de grama, os fãs se voltavam para o iminente pentacampeonato do suíço Roger Federer no All England Club.

Até que dois mineiros chamaram a atenção no torneio de duplas do Grand Slam britânico por causa de uma partida antológica, que levou quatro dias para ser completada. Diante dos cabeças-de-chave número seis, o australiano Paul Hanley e o zimbabuense Kevin Ullyet, Marcelo Melo e André Sá conseguiram avançar às oitavas-de-final após disputarem 102 games e confirmarem a vitória homérica por 3 sets a 2, com incríveis parciais de 5/7, 7/6 (7-4), 4/6, 7/6 (9-7) e 28/26.

Melo e Sá não pararam por aí. Os dois tenistas de Belo Horizonte chegaram longe na grama sagrada do All England Club, sendo parados apenas nas semifinais da competição pelos franceses Arnaud Clement e Michael Llodra, que levantaram a taça em Londres. O resultado dos dois mineiros igualou o melhor desempenho do tênis masculino brasileiro em Wimbledon: 36 anos antes, em 1971, o gaúcho Thomaz Koch havia alcançado as semifinais de duplas ao lado do norte-americano Clark Graebner.

Pouco tempo depois, em agosto, Melo e Sá voltaram a chamar a atenção em um major: A parceria verde e amarela conseguiu chegar às quartas-de-final do Aberto dos Estados Unidos, em Nova York.

A dupla, no entanto, sofreu um ‘abalo’ no final de 2007, quando a ATP suspendeu Marcelo Melo por dois meses após flagrá-lo no exame antidoping: a substância ilegal utilizada pelo tenista fora o isometepteno, encontrada no analgésico Neosaldina. Os mineiros, assim, voltaram a atuar lado a lado, mas os resultados iniciais não foram como o esperado: eliminações nas rodadas iniciais do Torneio de Sydney e do Aberto da Austrália.

O sucesso da parceria fez com que ambos abrissem mão de tentarem ingressar nas chaves individuais de torneios. Melo, de 25 anos, e Sá, de 30 e que já apareceu no 55º lugar do ranking de simples da ATP têm uma vontade clara: entrar para o top 10 em duplas. Feito conquistado neste domingo, após faturarem o título do Torneio de Pörtschach, na Áustria, e aparecerem na décima colocação da Corrida de duplas.

“O nosso objetivo é sempre melhorar, ranking é conseqüência”, lembrou Sá em sua última passagem pelo Brasil, em Sorocaba durante a disputa do Zonal Americano da Davis. “Este ano estamos jogando melhor e temos condição de figurar entre os dez primeiros do mundo”, prosseguiu.

Melo e Sá conquistaram juntos três títulos de nível ATP até então, sendo dois nesta temporada: na Costa do Sauípe, em fevereiro, e em Pörtschach, no último sábado. Em 2007, os dois faturaram a taça em Estoril. Mas a pergunta continua: os mineiros poderiam carregar o tênis brasileiro após a era Gustavo Kuerten?

Apesar de os dois terem oscilado um pouco durante os principais torneios de saibro deste ano, os ex-tenistas ouvidos pela Gazeta Esportiva.Net mostram confiança ao falar dos semifinalistas de Wimbledon.

Fotos: Marcelo ferrelli / Gazeta Press
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Meta de Melo é levar a dupla para o Top 10
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André Sá já foi 55º no ranking de simples

“É preciso entender que em pouco mais de dez anos, o Brasil perdeu três referências no tênis”, iniciou Fernando Meligeni, que em simples alcançou a 25ª colocação do ranking de entrada da ATP. “Primeiro o Jaime Oncins se aposentou, depois eu parei e agora pára o Guga. A gente sempre viveu de um ou dois caras entre os 100 do mundo, e na hora em que saem três caras desse tamanho, de referência nacional, fica uma incerteza. Justo em um momento em que ninguém falava de tênis, apareceram esses dois loucos para ganharam um monte de jogos. Ainda bem”, brincou.

Capitão do Brasil na Davis, Francisco Costa acredita que Melo e Sá estão muito próximos de atingirem o auge no circuito profissional. Na opinião do gaúcho, a receita para que a fase se torne ainda melhor é simples: acertar alguns pormenores.

“Eles já mostraram de um ano pra cá que estão jogando no mesmo nível dos melhores duplistas do mundo. É tudo uma questão de fortalecerem a parte mental de dupla, corrigir alguns detalhezinhos de jogo que podem melhorar”, ponderou Chico Costa. “A categoria deles é de uma das melhores duplas do mundo, e acertar pequenos detalhes os farão ir cada vez mais longe. Eles têm essa ambição de estarem entre os dez melhores do mundo e tudo isso é possível, vai depender do esforço deles de evoluírem nesses detalhes”.

“Se eles conseguirem manter o foco, a motivação e trabalharem duro ainda podem evoluir mais”, opinou o técnico Ricardo Acioly, que atualmente treina João Olavo Souza, o Feijão. “Uma boa e longa parceira tem que andar junta em matéria de objetivos e ambições, tanto dentro quanto fora da quadra. Acho que isso vai ser chave para eles seguirem evoluindo”, complementou.

Após ver sua campanha em Wimbledon ser igualada por Melo e Sá na temporada passada, Thomaz Koch torce para que sua marca seja batida. Para isso, no entanto, acredita que os mineiros precisarão de um pouco de sorte além de continuarem atuando em alto nível. “Achei fantástico o resultado deles, que inclusive bateram o recorde de permanência na quadra. Achei muito legal. Eles estão muito bem entrosados e estão encarando os melhores de igual para igual os melhores. Agora vai depender das chaves, abertura para que eles tenham resultados até melhores do que já tiveram”.

Discurso parecido mostrou o próprio Meligeni, que não esconde o otimismo ao falar dos dois belo-horizontinos. “Dependendo da semana, eles podem fazer semifinal de Wimbledon, quartas-de-final de US Open e podem chegar à semifinal de Roland Garros também, por que não? Acho que eles estão em um caminho muito certo, com um calendário perfeito e ainda estão motivadíssimos. Acredito até que eles podem ir à Masters Cup deste ano”, emendou Fininho, que minimizou a série de três derrotas seguidas que Melo e Sá sofreram, com as eliminações no Masters Series de Monte Carlo e Roma e no Torneio de Barcelona.

“A galera é um pouco crítica às vezes. Neste ano, o Marcelo e o André bateram na trave em todos os torneios, mas não estão perdendo para caras ruins. Sem deméritos, mas o Torneio do Sauípe não dá para ser comparado ao de Barcelona ou ao de Monte Carlo”, defendeu Fino. “Eles ganharam no Brasil porque já mostraram que nesse nível eles ganham torneio, mas eles estão à procura de coisa maior, da Mastes Cup. E os dois só vão entrar na Masters não ganhando no Brasil, mas chegando às semis ou ganhando Monte Carlo. Mas é difícil isso, porque no caminho você pode ter pela frente os irmãos Bryan”, concluiu Fernando Meligeni.

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