| Melo e Sá:
o ponto forte do tênis brasileiro pós-Guga
Por Felipe Held, especial para a GE.Net
Foto: Fernando Pilatos
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| Sá e Melo se destacaram juntos a partir de 2007, ano em que venceram partida que demorou quatro dias |
Sem representante algum na chave principal de simples em Wimbledon,
o tênis brasileiro estava praticamente esquecido na última
semana de junho e a primeira de julho de 2007. Com pouquíssima
representatividade no piso de grama, os fãs se voltavam
para o iminente pentacampeonato do suíço Roger
Federer no All England Club.
Até que dois mineiros chamaram a atenção
no torneio de duplas do Grand Slam britânico por causa
de uma partida antológica, que levou quatro dias para
ser completada. Diante dos cabeças-de-chave número
seis, o australiano Paul Hanley e o zimbabuense Kevin Ullyet,
Marcelo Melo e André Sá conseguiram avançar às
oitavas-de-final após disputarem 102 games e confirmarem
a vitória homérica por 3 sets a 2, com incríveis
parciais de 5/7, 7/6 (7-4), 4/6, 7/6 (9-7) e 28/26.
Melo e Sá não pararam por aí. Os dois tenistas
de Belo Horizonte chegaram longe na grama sagrada do All England
Club, sendo parados apenas nas semifinais da competição
pelos franceses Arnaud Clement e Michael Llodra, que levantaram
a taça em Londres. O resultado dos dois mineiros igualou
o melhor desempenho do tênis masculino brasileiro em Wimbledon:
36 anos antes, em 1971, o gaúcho Thomaz Koch havia alcançado
as semifinais de duplas ao lado do norte-americano Clark Graebner.
Pouco tempo depois, em agosto, Melo e Sá voltaram a chamar
a atenção em um major: A parceria
verde e amarela conseguiu chegar às quartas-de-final do
Aberto dos Estados Unidos, em Nova York.
A dupla, no entanto, sofreu um ‘abalo’ no final
de 2007, quando a ATP suspendeu Marcelo Melo por dois meses após
flagrá-lo no exame antidoping: a substância ilegal
utilizada pelo tenista fora o isometepteno, encontrada no analgésico
Neosaldina. Os mineiros, assim, voltaram a atuar lado a lado,
mas os resultados iniciais não foram como o esperado:
eliminações nas rodadas iniciais do Torneio de
Sydney e do Aberto da Austrália.
O sucesso da parceria fez com que ambos abrissem mão
de tentarem ingressar nas chaves individuais de torneios. Melo,
de 25 anos, e Sá, de 30 e que já apareceu no 55º lugar
do ranking de simples da ATP têm uma vontade clara: entrar
para o top 10 em duplas. Feito conquistado neste domingo, após
faturarem o título do Torneio de Pörtschach, na Áustria,
e aparecerem na décima colocação da Corrida
de duplas.
“O nosso objetivo é sempre melhorar, ranking é conseqüência”,
lembrou Sá em sua última passagem pelo Brasil,
em Sorocaba durante a disputa do Zonal Americano da Davis. “Este
ano estamos jogando melhor e temos condição de
figurar entre os dez primeiros do mundo”, prosseguiu.
Melo e Sá conquistaram juntos três títulos
de nível ATP até então, sendo dois nesta
temporada: na Costa do Sauípe, em fevereiro, e em Pörtschach,
no último sábado. Em 2007, os dois faturaram a
taça em Estoril. Mas a pergunta continua: os mineiros
poderiam carregar o tênis brasileiro após a era
Gustavo Kuerten?
Apesar de os dois terem oscilado um pouco durante os principais
torneios de saibro deste ano, os ex-tenistas ouvidos pela Gazeta
Esportiva.Net mostram confiança ao falar dos semifinalistas
de Wimbledon.
Fotos:
Marcelo ferrelli / Gazeta Press
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| Meta de Melo é levar a dupla para o Top 10 |
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| André Sá já foi 55º no ranking de simples |
“É preciso entender que em pouco mais de dez anos,
o Brasil perdeu três referências no tênis”,
iniciou Fernando Meligeni, que em simples alcançou a 25ª colocação
do ranking de entrada da ATP. “Primeiro o Jaime Oncins
se aposentou, depois eu parei e agora pára o Guga. A gente
sempre viveu de um ou dois caras entre os 100 do mundo, e na
hora em que saem três caras desse tamanho, de referência
nacional, fica uma incerteza. Justo em um momento em que ninguém
falava de tênis, apareceram esses dois loucos para ganharam
um monte de jogos. Ainda bem”, brincou.
Capitão do Brasil na Davis, Francisco Costa acredita
que Melo e Sá estão muito próximos de atingirem
o auge no circuito profissional. Na opinião do gaúcho,
a receita para que a fase se torne ainda melhor é simples:
acertar alguns pormenores.
“Eles já mostraram de um ano pra cá que
estão jogando no mesmo nível dos melhores duplistas
do mundo. É tudo uma questão de fortalecerem a
parte mental de dupla, corrigir alguns detalhezinhos de jogo
que podem melhorar”, ponderou Chico Costa. “A categoria
deles é de uma das melhores duplas do mundo, e acertar
pequenos detalhes os farão ir cada vez mais longe. Eles
têm essa ambição de estarem entre os dez
melhores do mundo e tudo isso é possível, vai depender
do esforço deles de evoluírem nesses detalhes”.
“Se eles conseguirem manter o foco, a motivação
e trabalharem duro ainda podem evoluir mais”, opinou o
técnico Ricardo Acioly, que atualmente treina João
Olavo Souza, o Feijão. “Uma boa e longa parceira
tem que andar junta em matéria de objetivos e ambições,
tanto dentro quanto fora da quadra. Acho que isso vai ser chave
para eles seguirem evoluindo”, complementou.
Após ver sua campanha em Wimbledon ser igualada por Melo
e Sá na temporada passada, Thomaz Koch torce para que
sua marca seja batida. Para isso, no entanto, acredita que os
mineiros precisarão de um pouco de sorte além de
continuarem atuando em alto nível. “Achei fantástico
o resultado deles, que inclusive bateram o recorde de permanência
na quadra. Achei muito legal. Eles estão muito bem entrosados
e estão encarando os melhores de igual para igual os melhores.
Agora vai depender das chaves, abertura para que eles tenham
resultados até melhores do que já tiveram”.
Discurso parecido mostrou o próprio Meligeni, que não
esconde o otimismo ao falar dos dois belo-horizontinos. “Dependendo
da semana, eles podem fazer semifinal de Wimbledon, quartas-de-final
de US Open e podem chegar à semifinal
de Roland Garros também, por que não? Acho que
eles estão em um caminho muito certo, com um calendário
perfeito e ainda estão motivadíssimos. Acredito
até que eles podem ir à Masters Cup deste ano”,
emendou Fininho, que minimizou a série de três derrotas
seguidas que Melo e Sá sofreram, com as eliminações
no Masters Series de Monte Carlo e Roma e no Torneio de Barcelona.
“A galera é um pouco crítica às vezes.
Neste ano, o Marcelo e o André bateram na trave em todos
os torneios, mas não estão perdendo para caras
ruins. Sem deméritos, mas o Torneio do Sauípe não
dá para ser comparado ao de Barcelona ou ao de Monte Carlo”,
defendeu Fino. “Eles ganharam no Brasil porque já mostraram
que nesse nível eles ganham torneio, mas eles estão à procura
de coisa maior, da Mastes Cup. E os dois só vão
entrar na Masters não ganhando no Brasil, mas chegando às
semis ou ganhando Monte Carlo. Mas é difícil isso,
porque no caminho você pode ter pela frente os irmãos
Bryan”, concluiu Fernando Meligeni. |