| Número 1 do Brasil, Bellucci confessa surpresa com disparada
Por Felipe Held, especial para a GE.Net
Foto:
Fernando Pilatos / Gazeta Press
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| Bellucci passou pelo quali e vai disputar Roland Garros |
Ali, na colocação de número 582 do ranking
de entradas da ATP, aparecia em 1º de janeiro o nome de
um jovem brasileiro de 19 anos desconhecido do grande público
e fãs do tênis: Thomaz Bellucci, nascido na cidade
de Tietê, interior de São Paulo. Na época,
Thiago Alves era o melhor representante nacional na relação,
aparecendo no 105º lugar.
Com a disputa de alguns futures, o tenista foi pouco a pouco
galgando algumas posições na lista. Em julho daquele
ano, surpreendeu nos challengers de Bogotá e Cuenca e
foi vice-campeão dos dois torneios. O resultado veio no
ranking, e Bellucci apareceu entre os 300 do mundo.
Em setembro, quando aparecia em 248º, foi convocado pela
primeira vez para defender o Brasil na Copa Davis, no duelo contra
a Áustria, fora de casa, na repescagem pelo Grupo Mundial.
Embora a superfície do confronto fosse o carpete e seu
rival fosse Jurgen Melzer, 42º do ranking, Bellucci jogou
de igual para igual com o adversário e perdeu honrosamente,
por 3 sets a 0 por triplo 6/4.
O tenista de Tietê manteve o ritmo de ascensão
e, já no início de 2008, com 20 anos, entrou para
o grupo dos melhores 200 do mundo e estreou em torneios de nível
ATP em fevereiro, na Costa do Sauípe, onde foi eliminado
já na primeira rodada. Uma semana depois furou o qualifying do
Torneio de Buenos Aires, aplicou duplo 6/4 no austríaco
Werner Eschauer e chegou às oitavas-de-final, quando foi
eliminado pelo argentino Juan Ignacio Chela, 25º do ranking,
também por 6/4 e 6/4.
Uma semana depois, de volta a um evento menor, Bellucci conseguiu
seu primeiro título, no Challenger de Santiago. O momento
de maior contato do ascendente tenista com a torcida brasileira
foi em abril, quando disputou o Zonal Americano com a Colômbia,
novamente pela Davis, na cidade paulista de Sorocaba.
O paulista de Tietê entrou em quadra para abrir o confronto
com Santiago Giraldo e saiu na frente com 2 sets a 0. Em decorrência
do forte calor na cidade interiorana, Bellucci cansou e permitiu
a virada do colombiano, que sacramentou 3 sets a 2 com 6/7 (6-8),
4/6, 6/3, 6/4 e 6/2.
Dois dias depois, em 13 de abril, bateu Carlos Salamanca por
2 a 0 com 6/4 e 7/5 na quinta partida e deu início a uma
campanha fantástica: em um mês, Bellucci faturou
os challengers de Florianópolis, Tunis (na Tunísia)
e Rabat (no Marrocos), furou o top 100 e conseguiu ranking para
entrar automaticamente na chave principal de Wimbledon.
Ainda em maio, Bellucci chegou às quartas-de-final do
Challenger de Bordeaux, na França, e conseguiu dois feitos
grandiosos: 18 vitórias consecutivas e, de quebra, o posto
de número um do Brasil, chegando ao 75º lugar e superando
Marcos Daniel, então 77º. Agora, após furar
o quali de Roland Garros, a jovem promessa começa a ser
mais vista pelos fãs de tênis e a gerar uma expectativa
de o país voltar a viver um bom momento na modalidade.
O paulista de Tietê começou no tênis “pequenininho,
batendo bola com os pais que também jogavam”, mas
começou os treinamentos aos nove anos. Canhoto e um jogador
de “bom saque” e “mais de saibro”, como
ele mesmo se definiu, atualmente o melhor tenista do Brasil é treinado
por Leonardo Azevedo desde outubro.
Direto da França, Bellucci concedeu uma entrevista exclusiva
por telefone à Gazeta Esportiva.Net e confessou ter queimado
etapas de seu planejamento para a temporada. Além de garantir
que a pressão de ser o número um do Brasil não
pesará ou influenciará sua carreira, o brasileiro
ainda deixou claro que seu objetivo no momento é ganhar
experiência. Quando às Olimpíadas de Pequim? “O
que vier é lucro”, sintetizou.
Foto:
Marcelo Ferrelli/ Gazeta Press
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| Para o novo número 1 do Brasil, ainda é difícil prever até em que posição do ranking ele pode chegar |
Gazeta Esportiva.Net: Em menos de um ano
e meio, você subiu
nada menos do que 507 posições no ranking de entradas
da ATP. A que você credita essa sua ascensão?
Thomaz Bellucci: Teve o amadurecimento, e o fator técnico
também me ajudou bastante. O Leonardo Azevedo me ajudou
bastante a entender o circuito e o jogo, e fisicamente também
estou melhorando a cada dia. Foram vários fatores, que
se forem somados você acaba elevando seu nível.
GE.Net: Apesar de ser número um do Brasil, você disputou
apenas dois torneios de nível ATP, no Sauípe e
em Buenos Aires. Que análise você faz do seu desempenho
nessas duas competições?
Bellucci: Foram experiências novas para mim e muito boas.
No Sauípe não joguei bem e fiquei um pouco nervoso
por jogar em casa e no primeiro ATP. Já em Buenos Aires
cheguei em cima da hora porque joguei duplas no Sauípe,
mas acabei ganhando quatro jogos (três no quali e um na
chave), e consegui muito mais do que eu esperava. Depois disputei
o quali de Viña del Mar e caí si na última
rodada. Acho que foram experiências boas, com as quais
você amadurece e com o tempo acaba se acostumando.
GE.Net: Até agora, você jogou apenas duas vezes
com tenistas top 50: na Davis contra o Melzer e em Buenos Aires
com o Chela, mas em ambos jogou de igual para igual e, coincidentemente,
perdeu os sets das duas partidas por 6/4. Que lições
você tirou desses confrontos?
Bellucci: Tive apenas duas oportunidades para jogar contra tenistas
de alto nível, mas foram provas boas. Nessas derrotas
você até amadurece mais do que se ganhasse um challenger
ou um jogo bobo. O Melzer é muito bom no carpete, mas
consegui fazer três sets duros e, se eu tivesse até um
pouco mais de experiência, poderia ter fechado. Mas foram
duas partidas que me ajudaram a ter essa arrancada.
GE.Net: E por falar em arrancada,
essa sua fase de três
títulos e 18 vitórias seguidas teve um motivo para
acontecer?
Bellucci: Difícil explicar o motivo desse arranque, foi
imprevisível. Você vai ganhando joguinho por joguinho
e, quando vê, já ganhou cinco, dez. Acho que poucos
jogadores já fizeram isso aí e agora, mas tenho
que fazer cada vez mais. Não esperava, mas tenho que colher
os frutos disso e aproveitar essa confiança para ganhar
mais partidas.
GE.Net: Em que você acha que
precisa melhorar para estar no auge do seu potencial?
Bellucci: É sempre preciso melhorar um pouquinho em tudo. É difícil
chegar a um ponto em que não é preciso mais evoluir
em nenhum aspecto. Só o Federer já é assim
(risos). Mas acho que devo me aperfeiçoar fisicamente,
mentalmente... acho que tudo, pois ainda sou novo. Fisicamente,
não joguei muitos jogos de cinco sets e isso posso melhorar,
jogando mais partidas longas para saber dosar o ritmo.
GE.Net: Furar o top 100 já no começo do ano surpreendeu
você? Quais eram as suas metas para esta temporada?
Bellucci: O Leo e eu tínhamos como planejamento chegar
entre os 120 ou 110 do ranking no final do ano e, em 2009, furar
o top 100. Acho que a gente queimou algumas etapas este ano,
mas conseguimos tudo com trabalho – e, quando você trabalha
bem, acaba conseguindo mais do que espera. Esse ano foi assim,
consegui quatro títulos de challengers e agora já posso
jogar alguns torneios mais fortes. Vai ser bom para mim, com
20 anos, estar com esse ranking para jogar alguns ATPs, a chave
de Wimbledon...
GE.Net: Outro torneio do qual você se aproximou bastante
foram os Jogos Olímpicos de Pequim. A lista deve fechar
entre os 80 melhores do ranking depois de Roland Garros. Você já pensa
nessa vaga olímpica?
Bellucci: Na verdade, no começo do ano essa expectativa
para Pequim nem existia para mim e para o Leo, pois eu estava
bem longe da classificação e não tinha as
Olimpíadas muito como meta. Como ganhei esses challengers
agora, passei a ver que pode ser realidade. Se a vaga vier vai
ser muito legal e vou ficar muito feliz, mas não está em
primeiro plano. Vai ser uma experiência legal ir para lá,
mas há coisas mais importantes do que as Olimpíadas
para mim no momento.
GE.Net: Agora você é o número
um do Brasil. Como vai ser lidar com essa responsabilidade
inesperada? Pode atrapalhar?
Bellucci: Pressão pelo meu lado não tem muito,
não. Tenho alguns pontos para defender ainda, pode ser
que eu caia ou que eu suba no ranking. O que vier agora é lucro.
Tenho que pegar muita experiência, e não dá para
ficar pensando muito em ranking, que sou melhor que os outros
ou que estou em primeiro ou segundo o Brasil. O que é válido
mesmo é estar adquirindo experiência e jogando com
caras bons. Isso vale mais do que o ranking.
GE.Net: E até onde você pode
chegar?
Bellucci: Sou um cara de 20 anos e não joguei muitos torneios
grandes. Difícil falar até onde você pode
chegar porque ainda não vivenciei o tênis de verdade.
Ainda não tenho a certa convicção de até aonde
posso chegar, só o tempo pode dizer. |